A única carreira de tiro do distrito de Bragança para treino e avaliação das forças de segurança está inoperacional há mais de meio ano, depois de um incêndio florestal ter destruído parcialmente o equipamento.

A informação foi confirmada à Lusa pelas estruturas regionais da GNR e da PSP, que deixaram de ter na região um espaço para treino, assim como outras forças de segurança que dele usufruíam, nomeadamente o SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), guardas prisionais e elementos da Polícia Judiciária.

A GNR é a responsável pela carreira de tiro e, contactado pela Lusa, o Comando-geral informou que “atualmente está a decorrer o procedimento de intervenção corretivo” da situação, sem indicar prazos ou mais pormenores, acrescentando que “nunca esteve em causa a instrução”.

Os profissionais das forças de segurança têm, no entanto, de se deslocar a outras carreiras de tiro, nomeadamente do Ministério da Defesa, em Chaves e Vila Real, para treinar com armas, como confirmaram à Lusa os comandos distritais da GNR e da PSP de Bragança.

A carreira de tiro foi criada em 2009 para os profissionais da Administração Interna, depois de vários anos de reivindicações das polícias, que não tinham um espaço na região para treinar com armas de fogo, e chegaram a realizar os treinos e exames de certificação em camiões das respetivas entidades, preparados para o efeito.

O equipamento ficou localizado em Macedo de Cavaleiros, na freguesia de Castelãos, e foi afetado por um incêndio florestal que lavrou naquela zona em setembro de 2017 e destruiu parcialmente a estrutura, impedindo o seu uso.

Embora não tenha sido criada para esse fim, a carreira de tiro de Macedo de Cavaleiros tem servido também para as provas dos candidatos à licença de uso e porte de arma, nomeadamente para a obtenção de carta de caçador.

A inoperacionalidade da carreira de Macedo de Cavaleiros obriga a que alguns candidatos tenham de percorrer 300 quilómetros para realizarem a prova, assim como alguns profissionais das forças de segurança.

O comandante distrital da PSP de Bragança, Amândio Correia, disse à Lusa que desde setembro que os agentes não fazem treino prático.

Segundo explicou, a preocupação agora é o plano de treino para 2018 e a Polícia ainda não sabe como vai fazer, concretamente se a carreira de tiro de Macedo de Cavaleiros será reparada a tempo ou se os cerca de 180 agentes da PSP terão de se deslocar a Chaves.

O treino, de acordo ainda com o comandante, implica a deslocação de grupos de 15 elementos de cada vez, e, quanto maior for a distância, menor será o tempo disponível para a atividade operacional quotidiana.

As Relações Públicas do Comando Distrital de Bragança da GNR confirmaram à Lusa a inoperacionalidade da carreira de tiro e indicaram que a questão “já foi exposta às instâncias superiores”.

De acordo ainda com a informação disponibilizada, o comando distrital aguarda indicações a esse respeito, sem saber ainda quando estará prevista a intervenção para restabelecer a operacionalidade.

A Lusa pediu esclarecimentos ao Comando-geral da GNR que, em resposta por escrito, informou “que atualmente está a decorrer o procedimento de intervenção corretivo, no intuito de suprir os danos causados pelos incêndios na carreira de tiro de Macedo de Cavaleiros”.

Acrescenta que “importa ainda salientar que nunca esteve em causa a instrução a ministrar aos militares adstritos ao Comando Territorial de Bragança, estando a ser cumprido o Plano Anual de Tiro”.