A juíza no «caso do envelope» do «Apito Dourado» indeferiu esta terça-feira um requerimento do procurador José Augusto Sá para chamar ao processo, como testemunha do Ministério Público (MP), a irmã gémea de Carolina Salgado, Ana Maria, escreve a Lusa.

O MP reagiu anunciando que vai recorrer da decisão da magistrada Catarina Ribeiro de Almeida. A defesa do presidente do FC Porto, Pinto da Costa, que tinha indicado Ana Maria Salgado como sua testemunha mas acabou por prescindir do depoimento, não se opôs à sua nova chamada a tribunal.

Ao contrário, as defesas do árbitro Augusto Duarte e do empresário António Araújo manifestaram a sua oposição à pretensão do MP.

Ao indeferir a pretensão do procurador, a juíza Catarina Ribeiro de Almeida sublinhou que «não resulta da prova até agora produzida que a testemunha tivesse conhecimento directo dos factos em julgamento neste processo».

Prova «irrelevante»

A magistrada também rejeitou uma pretensão alternativa do MP de se juntarem aos autos declarações de Ana Maria Salgado no âmbito de um inquérito em curso na Procuradoria-Geral da República. A magistrada classificou essa prova «irrelevante».

Já uma notícia do «Correio da Manhã» desta terça-feira vai ser anexada aos autos a requerimento da defesa de António Araújo. Segundo a notícia, as irmãs Salgado «têm vindo a reaproximar-se» e existe a possibilidade de Ana Maria Salgado alterar o seu depoimento na sequência de contactos e conversas informais com pelo menos um magistrado ligado à Procuradoria-Geral da República.

Mais testemunhas

Ainda durante a sessão desta terça-feira, o tribunal de Gaia deverá ouvir as testemunhas Fernanda Freitas (co-autora do livro «Eu Carolina»), Paulo Lemos (um ex-namorado de Carolina Salgado) e o juiz-conselheiro Matos Fernandes.

Este magistrado foi secretário de Estado da Justiça no primeiro governo do socialista António Guterres e, nessa qualidade - disse o próprio à Lusa - inaugurou o tribunal onde decorre este julgamento.

O tribunal de Gaia está a julgar o chamado «caso do envelope», um processo relacionado com o encontro Beira Mar-FC Porto da 31ª jornada da Superliga de 2003/2004, que foi realizado em 18 de Abril de 2004 e terminou com um empate sem golos.

Jorge Nuno Pinto da Costa e o co-arguido António Araújo - um empresário de futebol - estão pronunciados pelo crime de corrupção activa desportiva. Ao árbitro Augusto Duarte, que tem faltado às audiências alegando motivos de saúde, é imputado o crime de corrupção desportiva na forma passiva.