Os trabalhadores não docentes das escolas EB 2,3 Bairro Padre Cruz e EB 1 Aida Vieira, em Lisboa, concentraram-se esta quarta-feira em frente aos portões do primeiro estabelecimento em protesto pela falta de pessoal nestes espaços, que vivem “graves problemas”.

A concentração dos trabalhadores não docentes começou pelas 08:00, no dia em que tem início o segundo período do ano letivo, e decorreu até às 10:00, tendo os funcionários destes estabelecimentos de ensino de Carnide cumprido duas horas de greve.

À Lusa, Luís Esteves, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas, avançou que o protesto visou alertar para “a falta de trabalhadores não docentes nas duas escolas de um meio social complexo à volta e que se reflete” no seu funcionamento.

Ambos os espaços, sublinhou, necessitam de “maior acompanhamento e maior vigilância destas crianças e jovens”.

De acordo com o sindicalista, o universo escolar nos dois estabelecimentos é de cerca de 550 alunos, sobretudo entre os 03 e os 17 anos. Na EB 2,3 (do 5.º ao 9.º ano) há alunos com 18 anos.

Nas escolas estão no ativo um total de 14 funcionários não docentes.

Na EB 2,3 temos 10 trabalhadores, enquanto na EB 1 estamos a falar de cinco [um dos quais está de baixa]. Há baixas prolongadas que não são substituídas, ao contrário do que acontece com os professores, que após 30 dias têm substituição”, avançou Luís Esteves.

Para o sindicalista, este é um problema para o qual o sindicato tem vindo a alertar, já que considera ser “um círculo vicioso”: os auxiliares “vão-se desgastando e mais trabalhadores vão ter problemas de saúde e desgaste grave”.

O responsável adiantou que o Ministério da Educação tem vindo a remeter-se ao silêncio desde o verão e “não responde a ofícios, não reúne nem com o sindicato, nem com a federação, entrou numa onda de silêncio e de não quer dialogar”.

Ao protesto associou-se o presidente da Junta de Freguesia de Carnide, Fábio Sousa, que à Lusa sublinhou estar “em solidariedade para com as assistentes operacionais que reivindicam, com toda a justiça, a melhoria das condições de trabalho”.

O autarca recordou que desde o final do verão têm sido feitas diligências junto da Administração Regional de Educação, como reuniões com as associações de pais e a direção do agrupamento, “para salvaguardar e chamar a atenção para o reforço das auxiliares e também a melhoria do edificado da escola”.

Na quinta e na sexta-feira os portões da Escola EB 2,3 Bairro Padre Cruz e EB 1 Aida Vieira vão abrir somente pelas 10:00, mantendo-se a greve parcial dos assistentes operacionais, que tem inicio pelas 08:00.

A PSP esteve no local com um dispositivo para assegurar que os protestos decorriam sem problemas, o que a agência Lusa confirmou.