Por: tvi24 / MM | 10- 2- 2012 14: 50
A eliminação de quatro feriados e do Carnaval em Portugal «não foi uma decisão política democrática», sendo o grande objectivo
evitar que a Europa chame «preguiçosos» aos portugueses, defendeu, esta sexta-feira, uma investigadora da Universidade do
Minho (UM).
Para Emília Araújo, do Departamento de Sociologia da UM, esta medida visa principalmente «fazer acreditar
à Europa que os portugueses estão no bom caminho, além de reduzir a probabilidade de serem acusados de preguiçosos». A investigadora
considera que é preciso «debater o tempo como um assunto político e não apenas como mero dado quantitativo».
Emília
Araújo defende que o problema não é a abolição de feriados em si, mas sim o que estas situações implicam na reorganização
familiar e social, com questões como, por exemplo, onde deixar os filhos ou o que fazer com as tarefas deixadas propositadamente
para aqueles feriados. «Esta diminuição do tempo livre obriga a malabarismos que têm consequências sistémicas para as famílias,
as organizações e os próprios indivíduos», vinca a socióloga, que estuda a relação entre a cultura, as políticas e o tempo.
Para
Emília Araújo, a solução está na implementação de novas políticas, como a reestruturação dos horários escolares, «demasiado
estandardizados e incompatíveis com muitos pais», e a socialização dos governantes quanto à abertura dos serviços, «entre
os quais supermercados, do serviço público e das entidades culturais, que não condizem com a disponibilidade dos cidadãos».
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