Cerca de 350 mil pessoas visitaram o carnaval de Torres Vedras nos últimos quatro dias, sendo o corso noturno de segunda-feira o que atraiu mais visitantes, estima a organização.

Laura Querido, do Fundão, é uma das cerca de 40 mil pessoas que, segundo dados provisórios da organização, assistem ao vivo ao corso de terça-feira, no primeiro ano em que os desfiles têm transmissão "online" para todo o mundo no site do evento.

«Há dois anos que já cá vimos ver o carnaval, porque gostamos. Mais do que os carros alegóricos, gostamos de ver os mascarados, porque têm ideias engraçadas», diz à agência Lusa a visitante.

Luísa Domingos, a residir em Lisboa, repete, também pela segunda vez, a presença em Torres Vedras e, apesar de ser natural da Figueira da Foz, onde também existe carnaval, confessa gostar mais daquele, onde não entram escolas de samba.

«Este toca mais ao coração. Há muita interação entre o corso e as pessoas que estão a assistir, o que não se vê noutros carnavais, porque aqui é mais popular, mais espontâneo, mais genuíno e envolve mais as pessoas. Os outros estão mais profissionais com as escolas de samba. Não sou de cá, mas sinto-me como se fosse», afirma.

Depois de a chuva ter atraiçoado os dois primeiros dois dias, a organização estima ter mantido a afluência de visitantes de 2013, ano considerado «excecional», com 350 mil visitantes.

São Pedro deu tréguas aos foliões e a atração de visitantes ao corso noturno de segunda-feira, com 80 mil a assistir, e diurno de hoje, com 40 mil estimados, veio compensar os dois primeiros dias mais fracos.

Seja qual for o estrato social, miúdos e graúdos mascaram-se para manter a tradição daquele que se intitula o "carnaval mais português de Portugal" e que, pela primeira vez, foi sujeito a candidatura a património imaterial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

É o caso de Manuel Barbosa, 63 anos. Pertence ao grupo de ministros e matrafonas que acompanham os reis do carnaval, figuras locais. Trajado de matrafona de tempos mais remotos, com um vistoso vestido comprido, conta que mantém a tradição há 42 anos.

«Está no sangue. Este carnaval tem futuro. Aqui toda a gente brinca, porque é contagiante. Basta vir para dentro do corso», acrescenta, enquanto vai dançando ao ritmo da música brasileira que ambienta o corso.

A tradição da sátira político-social voltou também a cumprir-se com oito carros alegóricos a integrarem o desfile no meio de milhares de mascarados.

Passos Coelho, Cavaco Silva, Miguel Relves e outros políticos surgem a concorrer ao «primeiro a sair», enquanto no "Portakus" a ditadora Merkel comanda vários gladiadores, entre os quais o primeiro-ministro português.

Desfilam também o avião da companhia «tás daqui para fora», a aludir ao apelo à emigração pelo Governo, protagonizado pelo ministro Paulo Portas, e o "troikanic", uma mistura entre o filme Titanic e o amor de Governo entre CDS-PP e PSD, protagonizados por Passos Coelho e Paulo Portas.

Num ano em que o carnaval é dedicado ao mundo da televisão, um dos carros simboliza também a luta das audiências, com as televisões a dar fama ao Zé Povinho completamente despido, igual às personagens da série televisiva «Perdidos».

A antecipar o mundial de futebol no Brasil, vários jogadores de futebol, entre eles Cristiano Ronaldo, figuram no carro intitulado «desportistas de sofá».