A Câmara de Lisboa inaugurou esta quarta-feira o miradouro dos Terraços do Carmo, que liga o Largo do Carmo à Rua Garrett, representando a conclusão do plano de recuperação do Chiado, quase 27 anos depois do incêndio de 1988.

“Podemos dizer que é um dia muito especial, um dia em que podemos ver uma vista única que era desconhecida”, afirmou o presidente da autarquia lisboeta, Fernando Medina.

O autarca, que falava aos jornalistas após a cerimónia de inauguração daquele espaço, acrescentou que “onde dantes estavam uns barracões [que pertenciam à Guarda Nacional Republicana] e uma zona degradada está hoje um novo miradouro, com uma vista sobre a cidade e onde se torna mais fácil fazer a acessibilidade da parte baixa ao Largo do Carmo”.

Além disso, por ali é também possível ter acesso às ruínas do convento do Carmo e a museus, salientou Fernando Medina.

A construção deste jardim suspenso da autoria do arquiteto Siza Vieira – que irá contar com uma cafetaria e esplanada – teve um custo total de cerca de dois milhões de euros e foi financiada com verbas do município e também do Turismo de Portugal.

Os trabalhos iniciaram-se em setembro de 2009, porém só agora foram concluídos, devido a “vicissitudes extraordinárias”, observou Fernando Medina.

O vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa, Manuel Salgado, explicou aos jornalistas que se verificaram “problemas de estrutura, de arqueologia, mas também com os próprios empreiteiros, [já que] o empreiteiro não foi o mesmo no início e no final”.

A obra gerou contestação de lojistas da Rua do Carmo, cujos estabelecimentos foram afetados com infiltrações e fissuras resultantes da primeira fase da construção do jardim, por estarem situados junto à muralha adjacente dos trabalhos.

Manuel Salgado frisou que “os prejuízos serão assumidos pela Câmara”, estando já acordados com quatro comerciantes. Os valores são “pouco significativos”, na ordem das “dezenas de milhares”, adiantou.

Hoje foi também inaugurado o Elevador de Santa Luzia que liga a Rua Norberto Araújo, em Alfama, ao Miradouro de Santa Luzia, acabando com um desnível de cerca de 15 metros.

Esta empreitada custou perto de um milhão de euros e demorou cerca de dois anos, implicando ainda arranjos no miradouro, nomeadamente ao nível dos azulejos.

Presente na cerimónia, o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, salientou que a infraestrutura irá permitir “favorecer a mobilidade das pessoas” que ali moram.

O elevador insere-se nas novas acessibilidades à colina do Castelo de São Jorge, que visam atenuar as barreiras impostas pela topografia do terreno e pelas características do tecido urbano desta área histórica, através da introdução de meios mecânicos.

Fernando Medina deixou a garantia de que a Câmara de Lisboa prosseguirá “a renovação da frente ribeirinha e as acessibilidades de modo suave ao castelo”.

“O meu desejo é que os lisboetas e os estrangeiros que nos visitam possam descobrir aqui nova forma de olhar para a cidade de Lisboa”, concluiu.