Um grupo de 33 árbitros de futebol, entre os quais Carlos Xistra que foi hoje ouvido como testemunha no ‘caso Cardinal’, exigem uma indemnização de 1.000 euros cada a Paulo Pereira Cristóvão por danos morais.

Em causa está uma lista com dados pessoais de árbitros, elaborada a pedido de Paulo Pereira Cristóvão, cuja divulgação na internet terá afetado a vida dos visados, que se assumem agora como demandantes no processo que envolve o antigo vice-presidente ‘leonino’ e antigo inspetor da Polícia Judiciária.

Em tribunal, onde foi primeiro ouvido como testemunha de defesa do árbitro-assistente José Cardinal, e depois na qualidade de demandante, o árbitro Carlos Xistra garantiu que a sua vida mudou depois da divulgação da referida lista.

"Vivi um clima de insegurança e temia mais pela minha família do que por mim", disse Carlos Xistra, acrescentando: "Sentia-me mais protegido num estádio com 50.000 pessoas, do que em saber que a minha mulher e os meus filhos estavam sozinhos em casa".


Carlos Xistra, que durante duas épocas teve José Cardinal na sua equipa, disse ter recebido "várias ameaças por email" e garantiu que desde de que a lista foi tornada pública, em março de 2012, nunca mais atendeu números de telemóvel que não conhece.

Em tribunal, Carlos Xistra admitiu ter sabido da polémica em torno da alegada tentativa de suborno a José Cardinal pela imprensa, e considerou que o incidente afetou a vida do árbitro-assistente.

Em dezembro de 2011, dia antes de um de um jogo entre o Sporting e o Marítimo, para qual o árbitro assistente estava nomeado, foi feito um depósito de 2.000 euros feito na conta de José Cardinal, dias antes

Posteriormente foi enviada uma carta anónima a denunciar um alegado suborno a Cardinal, carta essa que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes, faria chegar à Polícia Judiciária, depois de a mesma lhe ter sido entregue pelo presidente dos ‘leões', Godinho Lopes.

Além de Carlos Xistra, testemunharam a favor de José Cardinal, que entretanto deixou a arbitragem, José Ramalho, antigo árbitro e observador, Belmiro Dias, psicólogo, e António Flor, preparador físico do árbitro assistente.

José Cardinal, que quando foi ouvido em tribunal admitiu que toda a situação acabou por o fazer desistir da ideia de se tornar observador depois de deixar a arbitragem, reclama o pagamento de uma indemnização de 103 mil euros.

Durante a manhã, o tribunal continuou a ouvir Paulo Pereira Cristóvão, que está detido desde março no âmbito de um outro processo, que negou a ideia de ter enganado o Sporting na contratação de serviços para vigilância de jogadores.

No âmbito do processo, no qual também é arguido Vítor Viegas, o antigo vice-presidente do Sporting é acusado de um crime de burla qualificada, outro de branqueamento de capitais, dois de peculato, mais um de devassa por meio informático, um de acesso ilegítimo e, por fim, um de denúncia caluniosa agravada.

As duas próximas sessões de julgamento estão agendadas para 29 de junho e 13 de julho.