O secretário-geral da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Carlos Silva, disse esta segunda-feira que reforma da Segurança Social é um “assunto sério” que não deveria estar a ser discutido “num ambiente de guerrilha institucional” e de campanha eleitoral.

“Sempre dissemos que é fundamental os parceiros sociais serem envolvidos [na discussão da reforma da Segurança Social] e o problema é quando se está a discutir uma coisa demasiado séria num ambiente de guerrilha institucional e de campanha eleitoral”, afirmou o dirigente aos jornalistas depois de se ter reunido com o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque.


O responsável da UGT disse que “o PS não quer mexer na reforma da Segurança Social já e está disponível para encontrar fontes alternativas de financiamento, lançando a questão da TSU [Taxa Social Única] que causou e continua causar alguma preocupação” a esta estrutura sindical, mas adiantou estar disponível para discutir o assunto em sede de concertação social.

Já “em relação ao plafonamento, temos muitas dúvidas e a UGT foi contra porque plafonar é colocar um teto máximo para descontos nas pensões”, referiu, considerando que tal medida iria criar uma Segurança Social pública para pobres e outra privada, sujeita a especulação, para ricos.

“Nós queremos continuar a ter uma Segurança Social pública, solidária e intergeracional”, sublinhou.

Carlos Silva mencionou que a matéria “será discutida na próxima Assembleia da República”, tendo referido que o secretário-geral do PS não se mostrou disponível para abordar o assunto “nos termos exatos em que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, apresenta a sua proposta”.

“O doutor António Costa não está disponível para discutir o plafonamento, para pôr a Segurança Social só para os pobres e para os que ganham menos e nós [UGT] também não estamos”, declarou, vincando que devem estar todos predispostos a sentar-se à mesa para, “em conjunto, perceber o que é necessário fazer”.

No seu entender, “a Segurança Social tem vivido em sobressalto” devido à crise, com desemprego elevado e com muitos a auferirem subsídios, o que “criou um terramoto” no sistema.

“Não podemos tomar decisões em cima do joelho e num ambiente de crise. A crise económica foi brutal e tremenda para o país”, concluiu, defendendo ser necessário “tomar decisões pragmáticas, ponderadas e sobretudo com olhos no futuro”.

Sobre o encontro com o presidente do executivo madeirense, Carlos Silva referiu que foi abordada a criação do Conselho Económico e Social na Madeira, que é uma das medidas que Miguel Albuquerque pretende implementar, e a questão de um relacionamento mais estreito com as instituições nacionais para os cursos de formação profissional serem mais adequados às necessidades das empresas e da economia.