Entre as várias contas bancárias em nome de Carlos Santos Silva, uma em especial chamou a atenção dos investigadores no Caso Marquês.

A conta BES0407 é titulada pelo empresário amigo de José Sócrates, mas o Ministério Público diz que Santos Silva é um mero testa-de-ferro e que o proprietário do dinheiro é na verdade o antigo primeiro-ministro. 

Entre 2010 e 2012 foram depositados nesta conta mais de 17 milhões e meio de euros e os investigadores garantem que todo o dinheiro movimentado serviu para pagar despesas ligadas a José Sócrates.



O Ministério Público fala num «património autónomo» onde Santos Silva apenas mexia quando era preciso pagar despesas relativas a José Sócrates. Entregas feitas diretamente ao antigo primeiro-ministro ou através do motorista, amigos e familiares. 

Diz a investigação que para não atrair suspeitas os arguidos decidiram que a conta testa de ferro nunca faria pagamentos diretos relacionados com José Sócrates. 

O esquema era complexo e o Ministério Público dá vários exemplos.

Em 2012 Carlos Santos Silva comprou um andar em Paris e uma casa à mãe do ex-primeiro-ministro. Pagou quase três milhões e meio de euros através de uma conta pessoal, mas o procurador diz que verdadeiro comprador era José Sócrates, pelo que logo de seguida Santos Silva terá ido buscar os 3 milhões e meio que gastou à conta em que seria um mero testa de ferro do ex-governante. 



Segundo a investigação o mesmo esquema foi usado para entregar dinheiro e financiar as despesas de uma amiga de Sócrates residente na Suíça.

Em seis anos, Santos Silva pagou a Sandra S. mais de 92 mil euros, mas o Ministério Público diz que o dinheiro que o empresário retirou da sua conta pessoal foi sempre recuperar à conta BES0407 que pertenceria na verdade a José Sócrates. 



Mais de 17 milhões e meio de euros numa conta de Santos Silva mas que apenas pagou despesas ligadas a José Sócrates. Diz o procurador que o dinheiro é do ex-governante e que a documentação recolhida permitiu concluir que teve origem no Grupo Lena, a quem os governos do antigo primeiro-ministro adjudicaram várias obras públicas.

José Sócrates e Carlos Santos Silva garantem que todo o dinheiro pertence ao empresário, falam em empréstimos mas não avançam valores. Dizem que a investigação os confrontou com diversos movimentos bancários, mas garantem que não há quaisquer indícios de corrupção.