O empresário português Carlos Rafael, acusado de capturar e vender espécies protegidas de peixe nos EUA, aguarda julgamento em liberdade depois de pagar uma caução de um milhão de dólares, confirmou esta quinta-feira o Tribunal Distrital de Boston à Lusa.

"Carlos Rafael foi libertado, com pulseira eletrónica, sob uma caução de um milhão de dólares", disse fonte do tribunal à Lusa, acrescentando que Carlos Rafael apenas pode abandonar o estado de Massachusetts para visitar um dos estaleiros que trabalha nas suas embarcações, no estado vizinho de Rhode Island.

 

De acordo com a mesma fonte, "o Estado tem agora de processar Rafael num prazo de 30 dias desde a emissão da acusação", que aconteceu a 26 de fevereiro.

A caução foi decidida numa audição na semana passada, tendo o tribunal posteriormente aceitado dois imóveis de Rafael como garantia: uma casa em North Dartmouth e a sede da empresa, Carlos Seafood Inc., em New Bedford.

O empresário, de 64 anos, está a ser acusado de conspiração e prestação de registos falsos.

De acordo com a acusação, consultada pela Lusa, o imigrante açoriano mentiu durante anos às autoridades sobre as quantidades e espécies de peixe capturadas pela sua frota para contornar quotas de pesca sustentável. Rafael venderia depois o peixe por "sacos de dinheiro" a um vendedor por atacado de Nova Iorque.

O imigrante da ilha do Corvo é dono de uma das maiores operações de pesca comercial do noroeste americano, Carlos Seafood Inc., sendo apelidado de "Codfather", um trocadilho com o filme Padrinho e a palavra em inglês para bacalhau.

Ainda segundo a acusação, o empresário usava compartimentos falsos para transportar o peixe e usava rótulos errados para evitar as quotas. O mesmo canal garante que a investigação ainda decorre e mais detenções podem acontecer.

A investigação, que envolveu o fisco dos EUA, os serviços de investigação da Guarda Costeira e a Organização Nacional dos Oceanos e Atmosfera, começou depois de Rafael colocar o negócio a venda em 2015.

Quando dois agentes à paisana se fizeram passar por potenciais compradores, o português confessou a sua operação "fora dos cadernos".

Em janeiro deste ano, Rafael e a contabilista explicaram o passo-a-passo da operação, a que se referiam como "a dança", durante uma reunião com os falsos compradores.

No encontro, Carlos Rafael afirmou que tinha ganhado 668 mil dólares (cerca de 614 mil euros). Os investigadores acreditam que parte do dinheiro foi desviado para Portugal através do aeroporto de Boston.

Junto com o português, foi detida a sua contabilista, Debra Messier, que também saiu em liberdade depois de pagar uma caução de 10 mil dólares.