O antigo apresentador de televisão Carlos Cruz saiu, esta quarta-feira à tarde, do Estabelecimento Prisional da Carregueira, Sintra, para passar o Natal em casa, em regime de licença precária, reiterando que está "inocente", apesar da condenação no processo Casa Pia.

"Eu não me continuo a declarar, eu estou inocente. É um facto, é um facto", afirmou Carlos Cruz, aos jornalistas que o esperavam à porta da Carregueira, e o questionaram sobre se mantinha a sua declaração de inocência no processo Casa Pia.


O antigo apresentador de televisão afirmou não viver de crenças "quando se fala de justiça" e que vive apenas "de factos"

"Não vivo de crenças, mas vivo muito de esperança e acredito fundamentalmente que a esperança mexe às vezes com o remorso, e portanto quem tiver remorsos talvez me dê a esperança", afirmou Carlos Cruz.


Logo à saída, quando foi rodeado pelos jornalistas, o antigo apresentador desejou "um bom Natal a todos os portugueses, sem qualquer exceção", nesta "época de paz e amor", e ainda "um ano que represente para Portugal finalmente o início de uma recuperação, com menos desemprego, melhor saúde, melhor justiça, melhores ordenados".

Carlos Cruz cumpre pena no Estabelecimento Prisional da Carregueira, concelho de Sintra, e vai passar o Natal a casa, em regime de licença precária, deferido pelo juiz de Execução de Penas, sem contestação do Ministério Público.

O ex-apresentador de televisão aguarda resposta, esperada para janeiro de 2016, a um pedido de liberdade condicional, quando já completou dois terços da pena de prisão a que foi condenado.

Carlos Cruz cumpriu metade da pena, em dezembro de 2014, após o Tribunal da Relação de Lisboa ter alterado a pena inicial de sete anos de prisão, a que tinha sido condenado na primeira instância, fixando-a em seis anos, por três crimes de abuso sexual de menores.

O antigo provedor-adjunto da Casa Pia, Manuel Abrantes, condenado a cinco anos e nove meses de prisão por dois crimes de abuso sexual de menores, também deixou hoje a Carregueira para gozar uma licença precária de três dias no Natal.

No processo Casa Pia, relacionado com abusos sexuais de alunos e ex-alunos da instituição, foram ainda condenados um antigo motorista casapiano, Carlos Silvino (a 15 anos de prisão), o médico Ferreira Dinis (sete anos) e o diplomata Jorge Ritto (seis anos e oito meses).