A Cáritas Portuguesa lançou esta quarta-feira uma campanha de recolha de roupa de inverno e cobertores para as crianças sírias que vivem em campos de refugiados nos países vizinhos da Síria, com o patrocínio do ex-presidente da República Jorge Sampaio.

«É uma campanha humanitária de emergência que se pode integrar na ajuda ao desenvolvimento», afirmou o antigo Alto Representante da ONU para a Aliança das Civilizações, sobre a iniciativa que decorre até 25 de fevereiro.


O objetivo da iniciativa é mobilizar todos os esforços para recolher vestuário, roupa, mantas e agasalhos para os quase dois milhões de crianças sírias a viver nos campos de refugiados no Líbano, Jordânia, Iraque, Turquia e Egito, vítimas de um inverno excecionalmente rigoroso e duro, acrescentou.

«É uma campanha de recolha de roupa e cobertores, a decorrer de 18 a 25 de fevereiro», promovida pela Cáritas Portuguesa, disse.


O presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, sublinhou que a organização "vai ter um papel operacional na campanha de emergência", e por isso com um período mais curto para ser concretizada, através da mobilização dos recursos da rede Cáritas nacional.

As estruturas locais, como paróquias, escolas, juntas de freguesia, ou empresas, recolhem a roupa de todos os doadores, devendo fazer a triagem, embalamento e envio das caixas para a Cáritas diocesana da respetiva zona, de acordo com indicações no manual da campanha no site da Cáritas ( www.caritas.pt).

«A roupa deve estar em condições dignas de ser dada», sublinhou.


«De amanhã a oito dias começaremos a recolher pelo país e procuramos instituições que colaborem connosco, que tenham transportes que possam trazer (...) todas essas doações até Lisboa, de onde seguirão por via aérea» para os campos de refugiados, explicou.

O presidente da Cáritas Portuguesa afirmou estar «muito confiante» nos resultados desta campanha, por «estar habituado à generosidade dos portugueses», apesar das dificuldades «que muitas crianças passam em Portugal».

Jorge Sampaio sublinhou existir «uma disponibilidade portuguesa, assinalada em estatísticas internacionais, como o Eurobarómetro, favorável a este tipo de iniciativas: 93 por cento (da população é) favorável à ajuda para o desenvolvimento, 79% está disponível para participar em ações e só efetivamente 15% participam».

«Há espaço para que esta participação se possa verificar», disse o ex-presidente da República, sublinhando aquilo a «característica portuguesa que é uma visão do mundo aberta, universalista e de harmonia religiosa e respeito mútuo pelas várias confissões e religiões praticadas em Portugal».


Esta campanha conta com uma plataforma de parceiros, como a Comunidade Islâmica de Lisboa, a Rede AgaKhan para o Desenvolvimento/Comunidade Muçulmana Ismaili, Cruz Vermelha, Cruz de Malta, Câmara Municipal de Lisboa, Conferência Episcopal Portuguesa, Corpo Nacional de Escutas, entre outros.