O presidente da Cáritas Diocesana de Viseu, Monteiro Marques, alerta para a importância de ser dado apoio psicológico às vítimas dos incêndios de dia 15, depois de uma fase de resposta às primeiras necessidades.

"Passada esta fase [de entrega bens de primeira necessidade], as pessoas caem na realidade. É natural que situações desta área [necessidade de apoio psicológico] comecem a aparecer", sustentou.

À entrada para uma reunião com o executivo do Município de Tondela, Monteiro Marques disse aos jornalistas que, neste momento, a Cáritas Diocesana de Viseu vai continuar a trabalhar com as aldeias afetadas pelos incêndios, para além de tentar fazer o levantamento de quem precisa de apoio psicológico.

"Vejo aquele vazio no olhar das pessoas e, se não estivermos atentos, a situação pode complicar-se muito nesta área. A parte afetiva perdeu-se. Quando temos um problema com o computador, ficamos aflitos porque parte da nossa história está lá, então temos de ter em atenção que estas pessoas de um momento para o outro tiveram de fazer um ‘reset' completo à sua vida."

De acordo com o presidente da Cáritas Diocesana de Viseu, "ainda não se sentiu falta de apoio psicológico", até porque mantém um protocolo com a Universidade Católica, que "disponibiliza psicólogos para ir para o terreno". "Mas é a minha sensibilidade. Se não fizermos nada, de certeza que a situação será complicada", acrescentou.

Os incêndios de dia 15 provocaram 19 mortos na diocese de Viseu e consumiram 356 habitações.

O casal inglês que só queria uma ecografia

Monteiro Marques aproveitou para partilhar uma situação que o marcou, de um casal inglês que chegou descalço à Cáritas de Viseu.

"Disse-lhes que lhes arranjava sapatos, mas diziam que não precisavam, que o carro ainda tinha pneus. Só queriam que lhes pagasse a ecografia à mulher que estava grávida", contou, acrescentando ainda que, apesar de não saber ainda como o poderia fazer, acabou por prometer-lhes um teto digno para quando a criança nascer.

A Cáritas Portuguesa e a Cáritas Diocesana de Viseu, com a ajuda da Embaixada dos Estados Unidos da América, conseguiram colocar 36 toneladas de ração para animais nos concelhos de Tondela e Vouzela.

Estes apoios fazem parte de um total de 100 toneladas, que resulta da comparticipação do Governo dos Estados Unidos da América e da atual conta solidária da Cáritas Portuguesa, que estão a ser disponibilizadas aos produtores afetados pelos incêndios.

O embaixador dos Estados Unidos em Portugal, George Glass, que esteve também em Tondela durante a manhã de hoje, explicou que se tratou de uma ajuda para alimentar animais no valor de 70.500 dólares (cerca de 60 mil euros).

"Queremos ajudar, os portugueses são nossos amigos e queríamos estar de perto das populações. Vamos falar com os produtores e ver os prejuízos que tiveram, pois eles são as testemunhas da tragédia que aconteceu", concluiu.