O presidente da Cáritas Portuguesa afirmou-se hoje surpreendido com o aumento do IVA, considerando que é tempo de não exigir mais sacrifícios e estabelecer um equilíbrio entre a sustentabilidade económica e o respeito pela dignidade das pessoas.

«Fiquei surpreendido porque o que nos estava a ser dito é que não havia mais aumento de impostos e, efetivamente, o que se trata é de um aumento do imposto relativamente a bens de consumo, uns mais prioritários que outros», disse à agência Lusa Eugénio Fonseca.

O responsável comentava o aumento da taxa normal do IVA para 23,25% previsto no Documento de Estratégia Orçamental (DEO).

Para Eugénio Fonseca, 0,25 pontos percentuais «podem fazer a diferença para quem não tem rendimentos ou para quem tem rendimentos quase na linha da fronteira entre o risco de pobreza e o não estar em risco de pobreza».

«A justiça da medida está em que abrange a todos», declarou o presidente da Cáritas, acrescentando que «durante muito tempo as medidas de austeridade reincidiam mais nalgumas classes, sobretudo na classe pobre e média».

Referindo que se trata de uma «medida de maior equidade porque se aplica aos bens de consumo que todos vão adquirir», o responsável da Cáritas Portuguesa admitiu, contudo, que «faça muita diferença nos pobres e possa não fazer diferença alguma nas classes mais abastadas».

Quanto à questão das reformas, reconheceu que «o que conta é a partir de determinado valor», mas não se pode esquecer que se está a «falar de patamares de reforma que já são muito, muito débeis, até numa circunstância em que os pensionistas estão a suportar os encargos dos seus filhos, dos seus netos, que ficaram sem trabalho, que ficaram sem algum rendimento».

O presidente da Cáritas reiterou que «já está provado» que o país foi «muito disciplinado» nas regras que foram impostas pela "troika", - «de tal forma que parece que até vamos sair de forma limpa desta situação» -, o que o enobrece.

«Agora não vamos exigir mais sacrifícios e o que eu peço é um equilíbrio entre aquilo que são as exigências da sustentabilidade económica com as exigências que são superiores a estas que é do respeito pela dignidade das pessoas, que passa por condições de vida dignas», acrescentou Eugénio Fonseca.