Seis anos depois do início da crise de 2008, o crescimento é muito reduzido, as dívidas estão em níveis considerados enormes e há 25 milhões de desempregados e mais de 120 milhões em risco de pobreza na Europa.

É este o diagnóstico feito pela Cáritas Europa, que esta quarta-feira apresenta em Lisboa o terceiro relatório de acompanhamento da situação nos sete países da União Europeia mais atingidos pela crise - Portugal, Chipre, Grécia, Irlanda, Itália, Roménia e Espanha - onde alerta para o aumento das desigualdades na Europa.

O relatório analisa as taxas de desemprego, os níveis de pobreza e exclusão social, o estado dos serviços públicos, a confiança nas instituições e a coesão social nestes países, cruzando dados oficiais com informações recolhidas no terreno.

Os dados, apresentados já no ínicio do ano em Itália, revelam que a taxa de risco de pobreza ou de exclusão social aumentou de 2008 para 2013 na maior parte dos estados-membros da UE-28 e atinge 122,5 milhões de pessoas ou 24,5 por cento da população(ou seja, quase 1 em cada 4 pessoas).

«As crianças e as famílias foram afetadas de forma desproporcionada pela crise e pelas medidas de austeridade e demasiadas vezes o impacto dessas medidas não foi tido em conta, com serviços frequentemente cortados quando são precisamente necessários, algo que é sobretudo evidente nos países sujeitos a programas» de ajustamento, adianta o relatório.

O documento assinala ainda que o desemprego se mantém «historicamente elevado», afetando mais de 25 milhões de pessoas em abril de 2014, o que representa um aumento de quase 8,4 milhões entre 2008 e dezembro de 2013.

A Cáritas adianta que apesar da existênca de sinais de crescimento na Europa, «ainda não se verificou um aumento significativo de empregos», considerando que «o problema dos desempregados de longa duração constitui um enorme desafio».

O relatório daquela instituição da Igreja Católica aponta ainda como «pouco provável que uma redução gradual do desemprego seja suficiente para inverter a tendência crescente dos níveis de pobreza».

Questiona também a qualidade dos empregos disponíveis, cada vez menos seguros, com o emprego temporário a aumentar.

Paralelamente, sublinha o relatório, os sistemas de proteção social estão sob pressão e há falhas que estão a deixar muitas pessoas «em situação miserável», enquanto os cortes nos serviços públicos afetam «de forma desproporcionada» quem tem rendimentos mais baixos.

«As pessoas que pagam atualmente o preço mais elevado são as que não participaram nas decisões que conduziram à crise e os países mais afetados são os que têm maiores carências nos seus sistemas de proteção social», acrescenta.

A Cáritas sustenta ainda que «a política de dar prioridade à austeridade não está a funcionar» e apela para que «sejam adotadas alternativas».

«Os líderes europeus devem reconhecer que, por si só, a atual orientação [...] está a falhar tanto em termos económicos como sociais e que é urgentemente necessária uma nova estratégia».

O relatório refere que falta ainda encontrar uma solução para a crise das dívidas, considerando «injusto» e «insustentável» transformar a dívida bancária em dívida soberana.