Por: tvi24 / PO | 14- 11- 2011 10: 5
O presidente da Cáritas Portuguesa revelou sábado que desde o início de 2011 surgiram 4.645 novos agregados familiares
a pedirem ajuda à instituição, uma média mensal de 516 novas famílias carenciadas. Esta situação acontece numa altura em que
a Cáritas se confronta com severas dificuldades para fazer face a este aumento de procura: a 20 dioceses estão em falência.
Desde o início do ano, a Cáritas Portuguesa atendeu 28 mil famílias, «o que significa dizer que todos os
meses, em média, três mil famílias vieram bater-nos à porta», sublinhou Eugénio da Fonseca.
Baixos rendimentos, desemprego
e habitação são as três grandes preocupações das pessoas que surgem a pedir ajuda.
«Muitas, apesar de se manterem
empregadas», estão neste momento confrontadas «com o aumento de despesas e a diminuição dos rendimentos», explica Eugénio
da Fonseca, dando o exemplo de funcionários públicos, pensionistas e daquelas pessoas que acabaram por perder o direito ao
Rendimento Social de Inserção.
O desemprego e a precariedade dos trabalhos «é outro dos dramas», disse o presidente
da Cáritas à margem do Conselho Geral que se reuniu este fim de semana, em Fátima, para debater a evolução dos atendimentos
sociais, bem como a situação social e económica do País.
«Quando começarmos a gerar empregos, estou convencido de
que muitas destas pessoas não voltarão a ter trabalho, porque os empregos que vão surgir estarão ligados às novas tecnologias»,
alertou o responsável da instituição, realçando a necessidade de se começar a trabalhar o quanto antes na reconversão de qualificações
nas faixas etárias mais elevadas.
A habitação é o terceiro motivo que leva as famílias a pedirem ajuda à Cáritas.
Por
um lado, as Cáritas Diocesanas são cada vez mais confrontadas «com as pessoas que deixam de pagar rendas e vão viver para
casa dos pais», por outro, «com as famílias que deixam de ter condições para pagar os empréstimos» da habitação.
«Outras
chegam ao banco, entregam chaves e escrituras que fizeram e dizem que já não têm nada a ver com aquilo», mas «é preciso explicar-lhes
que não é por entregarem a chave que deixam de ter a dívida», defendeu Eugénio da Fonseca.
Idosos em risco
O
presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio da Fonseca, revelou ainda que a instituição propôs ao Governo a criação de uma Comissão
Nacional de Protecção a Idosos.
«Tal como existe a Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco,
já devia ter aparecido uma entidade que fizesse esse trabalho junto dos idosos», até porque «neste momento estão a aumentar
muito os maus-tratos aos idosos», sustentou Eugénio da Fonseca.
A proposta já apresentada ao Ministro da Solidariedade
e Segurança Social resulta das conclusões da última Assembleia Social da Cáritas realizada no final de outubro e na qual surgiram
algumas denúncias.
«É um fenómeno preocupante porque é muito oculto: há famílias que vão buscar aos idosos as
reformas, tirando-os dos centros de dia para poderem ficar com esse dinheiro e, muitas vezes, com violência», acusa o
presidente da Cáritas.
Eugénio da Fonseca explicou que em muitos casos surge um familiar que diz estar desempregado
e, portanto, já pode cuidar do idoso, embora a razão de fundo se prenda com a necessidade de garantir os rendimentos dos mais
velhos.
«E não é líquido que os idosos digam com verdade que é com o seu consentimento, porque procuram sempre defender
os seus, os seus filhos e familiares. Isto é uma coisa bastante preocupante», alerta.
Eugénio Fonseca falava à margem
do Conselho Geral, que reuniu este fim-de-semana, em Fátima, para debater a evolução dos atendimentos sociais, bem como a
situação social e económica do País.
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