Atualizado às 13:26

A esmagadora maioria dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) registou uma adesão dos enfermeiros à greve acima dos 80%, segundo dados revelados hoje pelo sindicato.

De acordo com o sindicato, todos os hospitais públicos estão acima dos 80% de adesão, à exceção de quatro unidades: Vila Franca de Xira, Pulido valente e hospitais de Águeda e da Covilhã.

Em Lisboa, greve afetou vários serviços e utentes.

Sobre a adesão registada hoje nos centros de saúde, o sindicato disse ainda não dispor de dados.

José Carlos Martins, presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), considerou que esta «forte adesão» é também uma resposta ao Ministério da Saúde, que aludiu a uma banalização das greves.

«É uma forte resposta à perspetiva de banalização que o senhor ministro quis imprimir a esta greve. Significa que o senhor ministro da Saúde, em vez de tentar desvalorizar esta manifestação de insatisfação dos enfermeiros, era muito importante que apresentasse propostas concretas, claras e objetivas para a solução dos problemas dos profissionais. Sem profissionais não há SNS que resista», afirmou.

O sindicalista falava aos jornalistas numa conferência de imprensa ao final da manhã no Hospital de São José, unidade que registou mais de 95% de adesão dos enfermeiros na manhã do primeiro de dois dias de greve nacional contra a «grave carência» de profissionais nas unidades públicas de saúde e pela dignificação da profissão e da carreira de enfermagem.

No porto, adesão foi de 100% em vários centros de saúde.

Já hoje, o Ministério da Saúde classificou como «fantasiosos» os números de adesão à greve avançados pelo Sindicato dos Enfermeiros e acusou os sindicalistas de não reconhecerem o esforço dos «contribuintes» para a contratação de profissionais.

Na conferência de imprensa, o SEP voltou a apelar ao Ministério da Saúde para aumentar o número de admissões de enfermeiros, considerando que serão necessários de imediato pelo menos mais 2.500 profissionais, o mesmo número de enfermeiros que abandonaram o SNS nos últimos dois anos.

Nas contas dos sindicalistas, faltam mais de 25 mil enfermeiros nos serviços públicos: 6.500 nos cuidados primários e 19 mil nos hospitais.

Esta paralisação serve ainda para exigir uma valorização da profissão, as 35 horas semanais de trabalho para todos, a progressão na carreira e a reposição do valor das horas suplementares e noturnas.

Na quinta-feira, segundo dia de paralisação, o SEP promove uma concentração junto ao Ministério da Saúde, em Lisboa. Admite que muitos dos enfermeiros possam não comparecer para «ficarem a descansar», dado que atingiram o «limite da exaustão» em que se encontram, frisando que muitos profissionais chegam a trabalhar entre 10 a 20 dias seguidos, sem pausas.

Recorde-se que terça-feira, o Ministério da Saúde veio lamentar o que considera ser a «banalização da greve», sublinhando ainda ter-se comprometido com a «autorização de contratação de mais de 1700 enfermeiros no período de outubro de 2014 a outubro de 2015».