Portugal manifestou esta segunda-feira, através do Ministro dos Negócios Estrangeiros, disponibilidade para apoiar a Venezuela na área agroalimentar, de medicamentos e outros bens de primeira necessidade, retribuindo o apoio dado por Caracas durante a crise financeira, económica e social.

O mercado venezuelano foi muito importante para os portugueses, quando Portugal sofreu uma crise muito profunda, financeira, económica e social, entre 2010, 2014 e 2015”, disse.

Augusto Santos Silva falava na sessão de abertura de uma nova reunião da comissão mista de acompanhamento bilateral, que decorre na Casa Amarilla, depois de encontrar-se com o seu homólogo venezuelano, Jorge Arreaza.

Nessa conjuntura, nesse período muito difícil para a economia e o povo português, muitas empresas portuguesas encontraram na Venezuela oportunidades para os seus investimentos e para os seus produtos. Agradecemos-lhes por isso”, frisou.

O caso português, sustentou o ministro dos Negócios Estrangeiros, “mostra bem que nenhum de nós está imune às crises. Às vezes passamos por dificuldades, mas as dificuldades são temporais e podemos superá-las com trabalho, iniciativa e boa cooperação recíproca”.

E por isso mesmo, Portugal manifesta aqui a sua disponibilidade para, agora Portugal, apoiar a Venezuela, em particular no que respeita a novos projetos de cooperação, e sobretudo apoiar, se a Venezuela sente que é útil, em áreas como a alimentação, a indústria agro-alimentar, os alimentos, os medicamentos, a indústria farmacêutica, e outros bens de primeira necessidade”, frisou.

Falando em idioma castelhano, o ministro português sublinhou ainda que “as relações económicas” entre os dois países “são um foco muito importante” da comissão mista “mas a riqueza da relação bilateral vai além da economia”.

Temos também boas perspetivas no que diz respeito ao ensino da língua portuguesa na Venezuela. Também no domínio cultural há projetos em curso e outros que podem vir a ser desenhados”, disse.

Augusto Santos Silva iniciou a sua intervenção explicando que “há três níveis muito importantes” das relações entre Lisboa e Caracas, e afirmou que “o mais profundo, é o humano”.

Há 200 mil pessoas que nasceram em Portugal e vivem na Venezuela e se adicionámos os que nasceram na Venezuela, filhos e netos de portugueses, chegaremos facilmente a meio milhão. É uma ligação muito profunda, porque está baseada no fator humano”, disse.

Em segundo lugar colocou “o nível político da relação bilateral política e económica”, precisando que “a Venezuela foi muito importante”, em 2016, como membro do Conselho de Segurança da ONU, “pelo seu apoio à candidatura portuguesa” do atual secretário-geral da ONU, António Guterres.

“Em 2017 nós apoiamos reciprocamente as nossas candidaturas ao Conselho Executivo da Unesco e ambos os países foram eleitos e trabalharam em conjunto nesse importante fórum da Unesco. Temos esta boa tradição de apoios recíprocos a candidaturas, um aspeto na dimensão da relação bilateral que se faz em pleno respeito pela soberania de cada um, nunca misturando o que são os assuntos internos de cada país com as relações institucionais e políticas”.

O ministro português explicou que Portugal se relaciona “com todas as autoridades venezuelanas” e procura “estabelecer canais diplomáticos, políticos e institucionais adequados e por isso a relação entre os dois países, entre as duas economias, progrediu nos últimos anos”.

Segundo o ministro “há um terceiro nível”. A Venezuela é um país muito importante na América do Sal, nas Caraíbas e na Américas Latina, e Portugal um país membro da União Europeia, onde participa “de modo a que as nossas relações sejam de respeito recíproco e, desde o ponto de vista europeu, de incentivo a que o processo de diálogo intra-venezuelano prossiga com os melhores resultados que as partes venezuelanas consigam”.

A estabilidade de Venezuela é de muito interesse para a Europa e para Portugal”, disse.

O chefe da diplomacia portuguesa sublinhou ainda que “o coração da relação política e económica e cultura entre Portugal e a Venezuela, desde o ponto de vista português é a comunidade portuguesa que vive e trabalha na Venezuela” de quem ouviu algumas preocupações.

“Tudo o que possamos fazer para promover a segurança das comunidades, para o acesso do público aos bens básicos e que os cuidados de saúde sejam melhores e para que haja uma boa compreensão, da necessidade venezuelana de ter preços estáveis, e de outra parte, a necessidade dos empresários portugueses, de terem condições de sustentabilidade para as suas empresas, comércios e redes de distribuição (…) será muito apreciado”, disse.