As refeições escolares melhoraram mas ainda há casos em que a comida é pouca ou de má qualidade, segundo um inquérito a 89 associações de pais que revelam escolas onde continuam a ser impedidos de visitar as cantinas.

Houve melhorias mas ainda há muitas situações onde a qualidade e a quantidade da comida deixam muito a desejar”, contou à agência Lusa, Isidoro Roque, presidente da Federação Regional de Lisboa das Associação de Pais (FERLAP), entidade que realizou um inquérito junto das associações de pais de escolas dos distritos de Lisboa e Santarém.

Segundo o inquérito, uma em cada três associações de pais continua a queixar-se das cantinas onde os filhos almoçam diariamente: “A comida continua a ter uma qualidade sofrível ou má para cerca de 36% das Associações de Pais”.

Apenas 24% consideram que a comida é aceitável e 9% consideram mesmo que a comida é muito boa ou muito próximo disso. Pelo contrário cerca de 2% das Associações de Pais continuam a considerar a comida muito má ou quase muito má”, lê-se no relatório.

Já no que toca à quantidade nota-se uma melhoria muito significativa, com apenas 8,5% dos pais a queixarem-se que servem pouca comida aos alunos.

Na maioria dos casos (53%) os pais consideram que a quantidade é aceitável e 36% consideram mesmo que é “bem servida”.

Pais impedidos

Apesar de Isidoro Roque considerar que ainda há muito para fazer, nota-se uma melhoria quando se compara com a perceção que os pais tinham antes da publicação do despacho ministerial que veio criar equipas de fiscalização e esclarecer que as associações de pais podem visitar as cantinas a qualquer altura, sem aviso prévio.

Ainda assim, mesmo com a clarificação das regras, o inquérito permitiu detetar seis escolas onde as associações de pais foram impedidas de visitar as cantinas. “Isto é completamente ilegal”, alertou Isidoro Roque.

Com o novo despacho, a maioria das associações de pais (61%) já visitou as cantinas das escolas, sendo que a maioria das que não o fizeram, justificam com o facto de ainda estarem a preparar as visitas ou devido ao horário de trabalho dos pais que dificulta fazer essas visitas à hora de almoço.

Há também associações de pais que não realizaram visitas porque têm funcionários que ajudam nas refeições ou porque consideram que a comida é boa e, por isso, não vêm necessidade nas visitas.

Sobre as novas equipas criadas pelo Ministério da Educação, Isidoro Roque diz não ter conhecimento de qualquer ação inspetiva nas escolas da zona de Lisboa e Santarém.

Os pais apresentaram ainda algumas sugestões para melhorar as cantinas, entre as quais se destacou a defesa de as cantinas voltarem a ser da responsabilidade da escola e de as refeições serem confecionadas por funcionários da escola, tal como tem sido defendido também pelos diretores escolares.

Uma fiscalização rigorosa e a penalização dos infratores e dos responsáveis pela fiscalização que não façam a denúncia das irregularidades são outras das medidas propostas pelos encarregados de educação.

Os pais gostariam ainda que houvesse um cumprimento rigoroso dos cadernos de encargos e que as refeições fossem adequadas ao nível etário dos alunos.

Segundo Isidoro Roque, o inquérito sobre as refeições escolares já foi enviado para o Ministério da Educação e a Ferlap aguarda agora pela remarcação de uma reunião com a secretária de estado, Alexandra Leitão.