A Associação de Pais da Escola Espinho 2 afirma que a empresa responsável pelas refeições dos alunos não lhes serve comida suficiente e que a autarquia vem ignorando o caso, sem impor o cumprimento do caderno de encargos.

«Este problema arrasta-se desde setembro. Já falámos várias vezes com a Câmara sobre o assunto, mas a empresa continua a não servir comida suficiente às crianças e a autarquia não a obriga a cumprir o que está estabelecido no caderno de encargos», declarou à Lusa o presidente da referida associação de pais, Luís Moreira.

O vice-presidente e vereador da Educação na Câmara de Espinho garantiu depois que as refeições escolares contratadas à empresa Gertal estão a ser servidas «de acordo com as normas e em quantidade suficiente» para cada aluno, mas admitiu que já se detetaram «algumas irregularidades» no abastecimento, «a título pontual».
 

«As irregularidades que se notam devem-se ao facto de as refeições da Escola Espinho 2 não serem confecionadas no próprio local e terem que ser transportadas até lá. É por isso que o doseamento nem sempre será o correto, mas as instruções são no sentido de o funcionário pedir um reforço de comida ao aperceber-se de que ela está a acabar e, em poucos minutos, a empresa apresenta o restante».


Para Vicente Pinto, esse procedimento até é o mais aconselhável, considerando que «quem percebe de crianças sabe muito bem que, se lhes puserem muita comida à frente, a tendência geral é para elas a deixarem ficar no prato». Dosear o transporte das refeições até à escola e incentivar a que essas só sejam reforçadas quando isso se revela necessário é, para o vereador, «a melhor forma de evitar desperdício».

O contrato entre a Câmara e a empresa Gertal, a que a Lusa teve acesso, define, por exemplo, que nos pratos de assado seja distribuído um quarto de frango por cada aluno, mas o representante dos pais afirma que «só é servida uma coxinha por criança, das pequenas, o que a própria nutricionista da empresa de refeições já disse ser insuficiente».

Para Luís Moreira, isso significa que, «em vez de um frango dar para alimentar quatro crianças, está a ser repartido por umas 10», o que totalizará 35 aves para alimentar os atuais 350 estudantes que diariamente têm a sua refeição na escola.

Vigente até ao verão de 2016, o contrato com a Gertal também estabelece que cada dose de melão, por sua vez, deverá pesar um mínimo de 250 gramas, «mas um pai que foi à escola comprovar o que se passava ao almoço fotografou uma fatia de meio centímetro de espessura e, ainda por cima, elas eram todas tão maduras que foram para o lixo».

Também já aconteceu «a Gertal enviar almôndegas cruas para serem servidas às crianças», ao que se acrescentam casos de massa de peixe com espinhas, esparguete apenas «com aroma a atum, mas sem a proteína» e situações recorrentes de falta de refeições para o segundo turno do almoço.

«No início do ano foi um caos porque faltava constantemente comida e chegou a ter que pedir-se reforço duas vezes no mesmo dia - até em dia de inspeção dos pais à escola, que é quando se espera que as coisas corram melhor», revela Luís Moreira.
 

«A Câmara dizia que a situação ia melhorar quando abrisse o centro escolar de Anta, porque a Espinho 2 estava sobrecarregada com as refeições das crianças dessa freguesia, mas essa escola já abriu em janeiro e, mesmo com menos miúdos aqui, o problema continua».


Que a Gertal alegadamente pretenda cortar na dose de alimentos disponíveis, Luís Moreira diz que «até se percebe, porque é mais dinheiro que lhes fica no bolso». A postura da Câmara é que o presidente da Associação de Pais considera «inadmissível», porque a autarquia «tem a obrigação de fiscalizar o que acontece aos dinheiros públicos e não está a fiscalizar nada disto, o que significa que há aqui alguma situação menos clara».

Contactada pela Lusa, a Gertal não se disponibilizou para comentar o assunto.