Os municípios de Almeida, Marvão, Valença e Elvas entregaram na Comissão Nacional da UNESCO, em Lisboa, a ficha de inscrição das "Fortalezas Abaluartadas da Raia" na Lista Indicativa de Portugal a Património Mundial, foi anunciado esta quinta-feira.

De acordo com a autarquia de Almeida, no distrito da Guarda, a candidatura foi apresentada na segunda-feira, após a realização de uma reunião, no dia 13, no Centro de Estudos de Arquitetura Militar Abaluartada daquela vila.

A fonte adianta que do encontro saiu a "Declaração de Almeida" sobre a inscrição das "Fortalezas Abaluartadas da Raia" como Património Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), assinada por António Baptista Ribeiro (Câmara Municipal de Almeida), Vitória Branco (Elvas), José Manuel Pires (Marvão) e Jorge Salgueiro Mendes (Valença).

O documento a que a agência Lusa teve acesso esta quinta-feira refere que os representantes dos quatro municípios que integram o grupo de trabalho, que reúne desde 5 de outubro de 2015, declaram "a profunda convicção do alto interesse cultural que representa, para o país e para a humanidade, o futuro reconhecimento internacional de um património ímpar no contexto da civilização europeia".

Refere que o património abrangido na candidatura das "Fortalezas Abaluartadas da Raia" abarca "exemplares únicos da arquitetura militar dos séculos XVII e XVIII, a par do valor intangível da paz e do relacionamento entre os povos".

As autarquias envolvidas no processo justificam ainda que com a integração do património de Elvas (declarado Património Mundial em 2012) nesta candidatura, a mesma ganha "uma nova consistência, através do contributo de Almeida, Marvão e Valença, exemplares excecionais que, em conjunto, definem um sentido universal do génio humano, na sua dimensão tangível e intangível".

Na "Declaração de Almeida" sublinham também que se trata de uma candidatura "em série, aberta a candidaturas posteriores" e que tem um caráter internacional, dado que é "aberta à inclusão de bens de Espanha com idêntica natureza e, desse modo, reforçando as características de uma cultura transfronteiriça que vem sendo praticada nos dois lados da raia", designadamente pelos quatro municípios envolvidos.

No mesmo documento, as autarquias comprometem-se "a prosseguir os esforços para o sucesso da conclusão do processo de classificação pela UNESCO, como Património Mundial, da Série Internacional dos Bens das ‘Fortalezas Abaluartadas da Raia'".

Em agosto de 2015, o presidente da autarquia de Almeida, António Baptista Ribeiro, declarou à Lusa que estava a trabalhar "afincadamente" para que em 2017 a praça-forte daquela vila fronteiriça pudesse ser classificada pela UNESCO.

A maior fortificação abaluartada do mundo, em Elvas, foi classificada como Património Mundial em 2012, na categoria de bens culturais.

O presidente do Município de Elvas, Nuno Mocinha, disse na terça-feira à Lusa que o Forte da Graça recebeu cerca de 20 mil visitantes desde que foi reaberto, em novembro de 2015.

De acordo com o autarca, o forte tem também recebido a visita de turistas "de todo o mundo", uma vez que é "conhecido" graças à classificação da UNESCO.