Por: Redacção / HB | 29- 1- 2009 21: 35
A procuradora-geral adjunta Cândida Almeida admitiu que José Sócrates poderá ser chamado no âmbito do processo Freeport
se houver suspeitas que o justifiquem e recusou que as contas do primeiro-ministro estejam a ser investigadas. Em entrevista
ao «Expresso» e à SIC, a também directora Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), disse que até agora
não há ainda arguidos e que as «linhas de investigação» visam saber se houve tráfico de influências ou corrupção.
Sócrates: não houve
«nenhuma espécie de favorecimento»
«O senhor primeiro-ministro já se disponibilizou publicamente e perante
a lei são todos iguais. Se não houver suspeitas não o vamos ouvir. Não se vai interrogar um primeiro-ministro só para ficar
a constar. Se não houver suspeitas, não se interroga. Se houver suspeitas, obviamente, podemos ouvi-lo porque todos os cidadãos
são iguais perante a lei», disse Cândida Almeida.
A procuradora adiantou que, neste momento, as autoridades estão
a tentar determinar se houve tráfico de influências ou corrupção «para autorizar a construção do Freeport» e «retirar de uma
parte significativa daqueles terrenos da protecção do estuário do Tejo». A procuradora-adjunta adiantou que acredita que as
linhas de investigação que estão a ser seguidas vão permitir «chegar a alguém».
«Como é óbvio demissão não está em causa
«Uma pessoa gabar-se de conhecer alguém que
possa fazer alguma coisa mesmo que esse alguém não faça nada e se pedir dinheiro por isso é tráfico de influências. Corrupção
é ter aceite as verbas ou os bens e ter dado um despacho em contrario das suas obrigações legais», afirmou.
Foi
ainda explicado por que é que não foi aceite a criação de uma equipa mista com polícias ingleses. «Não vamos pôr estrangeiros
a investigar o que é nosso e também nunca iríamos pedir para investigar em Inglaterra situações que tem a ver com pessoas
relevantes lá», apontou.
Contas de Sócrates não estão a ser investigadas
Na entrevista à RTP, Cândida
Almeida admitiu que há contas bancárias a ser investigadas, sem precisar quais, mas garantiu que nenhuma delas é de José Sócrates.
As conclusões destas perícias bancárias poderão levar a novos factos. A procuradora disse ainda que estão a ser investigadas
«cerca de 20 pessoas» e que terão entrado em Portugal quatro milhões (de euros ou libras) que terão pago «serviços».
«Não
temos elementos para constituir ninguém arguido», referiu na mesma entrevista. Quando questionada sobre se há «fortes suspeitas»
relativamente a Júlio Monteiro, tio de José Sócrates, a directora do DCIAP apontou: «Fortes suspeitas, não. Suspeitas, sim».
Carta
anónima
A procuradora disse ainda que a primeira vez que o nome do actual primeiro-ministro apareceu neste caso
foi através de uma carta anónima que deu entrada, em Setembro de 2004, na Polícia Judiciária de Setúbal.
«Só apenas
num parágrafo inocente e metido à força aparecia o nome de José Sócrates e da mãe», referiu, explicando depois que «essas
referencias não foram recuperadas na investigação», classificando-as como «despropositadas, porque não estavam no contexto
[da carta]».
Relativamente às recentes buscas, Cândida Almeida garantiu que nada tem a ver com qualquer solicitação
por parte das autoridades inglesas.
Sobre prazos para a conclusão da investigação, a procuradora disse que não se
pode «comprometer com datas», mas que seria desejável que isso acontecesse «antes das próximas eleições».
A responsável
adiantou também que irá ser aberto um inquérito para apurar a origem das fugas de informação.
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