Prevenir é a palavra de ordem, quando se fala de cancro. O oncologista Vítor Veloso, da Liga Portuguesa Contra o Cancro, sublinha que a chave para o combate começa precisamente aí: na prevenção e na deteção atempada.

O médico sublinha, em entrevista ao tvi24.pt, que o autoexame não é suficiente e reforça que é fundamental o rastreio médico periódico.

O especialista destaca também a importância de não encarar o cancro como uma «sentença de morte» e de permitir o acompanhamento psicoterapêutico.

 

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Qual a importância da prevenção e da deteção precoce do cancro de mama?

As recomendações da Europa Comunitária são no sentido de que a diminuição da incidência do cancro só é possível através da prevenção e da deteção precoce. A prevenção é fundamental: 70% dos cancros podiam ser evitados se não tivéssemos comportamentos de risco, associados ao tabaco, à obesidade ou ao stress.

 

Mas a prevenção secundária é também fundamental. É importante o rastreio do cancro da mama, através da mamografia, de dois em dois anos. As recomendações é que esse rastreio seja feito entre os 45 e os 69 anos, mas nós oncologistas achamos importante que esse rastreio seja feito entre os 40 e os 75 anos. A idade, está provado, é um fator de risco do cancro e hoje em dia as mulheres vivem cada vez mais anos.

 

O rastreio da Liga Portuguesa Contra o Cancro é suficiente?

Não conseguimos chegar a toda a gente. Daí também ser muito importante o chamado rastreio oportunístico, que as mulheres fazem no privado ou no médico de família.

 

E esse «rastreio oportunístico» deve ser feito a partir de que idade?

Diria que, não havendo antecedentes familiares de cancro de mama, é fundamental a consulta anual com o médico de família ou com o ginecologista a partir dos 25 ou 30 anos.

 

E qual é a importância do autoexame?

Não é suficiente e já nem é recomendável, precisamente por não ser suficiente. É mesmo importante que todas as mulheres sejam rastreadas medicamente. A mulher não consegue fazer uma palpação eficaz e nem sempre deteta atempadamente a lesão. Quando deteta, às vezes, já é tarde e a terapêutica tem de ser mais agressiva. Reforço que é importante que todas as mulheres consultem o seu médico periodicamente.

 

Confirmado um diagnóstico de cancro, qual é a importância do acompanhamento psicológico?

Fundamental. O cancro ainda está muito conotado com a morte. E estas mulheres, por mais fortes que sejam, e muitas vezes até a própria família, devem ser acompanhadas do ponto de vista psicooncológico. A Liga, aqui no Norte, já tem esse acompanhamento gratuito.

São raras as mulheres que aguentam sozinhas, de pé firme, a situação.

 

O estado de espírito influencia as terapêuticas?

Claro. Uma pessoa deprimida, que pensa negativamente, tem menos imunidade física. Quanto melhor psicologicamente a mulher estiver, melhor vai aceitar fisicamente os tratamentos.

 

Como é a vida de uma mulher que sobrevive ao cancro?

Muitas mulheres, mesmo durante o tratamento, continuam a trabalhar. Claro que não são todas, mas acontece.

As pessoas têm de pensar no cancro, cada vez mais, como uma doença crónica, que já não é uma sentença de morte. A mortalidade diminuiu muito e a sobrevivência é cada vez maior.