O presidente do Grupo Hospitalar Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil (GHIPOFG) assegurou esta quarta-feira que Portugal continua a registar «elevados padrões assistenciais no tratamento oncológico», refutando críticas de que a assistência a estes doentes «está no vermelho».

O presidente cessante da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), Joaquim Abreu de Sousa, afirmou, na Comissão Parlamentar de Saúde, que «o tratamento dos doentes com cancro em Portugal está no vermelho» ao nível da assistência, porque as instituições estão «no limite».

Sem especificar a quem se refere, o presidente do grupo hospitalar que integra os Institutos Português de Oncologia de Lisboa, Coimbra e Porto explica, em comunicado enviado à agência Lusa, que o seu esclarecimento surge «no seguimento de notícias hoje veiculadas e suscetíveis de criar alarmismo».

Francisco Ramos afirma que, não obstante os constrangimentos decorrentes do Memorando de Entendimento com os credores internacionais de Portugal, foi possível, nos últimos anos, «continuar a corresponder às necessidades da população nesta área prioritária da saúde».

Segundo o mesmo responsável, foram até concretizados investimentos tecnológicos e introduzidas melhorias significativas nas instalações.

«As principais dificuldades encontram-se nas limitações de contratação de recursos humanos, atualmente comuns a todos os serviços públicos», sublinha Francisco Ramos no comunicado.


Contudo, frisou, estes constrangimentos têm sido superados com «o esforço e competência dos profissionais dedicados aos doentes oncológicos», que conseguem «manter a prontidão e elevada qualidade dos cuidados».

«Compreendem-se os limites desse esforço de todos os grupos profissionais, mas existe confiança de que as restrições à contratação de pessoal possam ser aligeiradas num futuro próximo, sem que se assinale qualquer quebra no acesso e na qualidade das prestações de saúde em oncologia», sustenta Francisco Ramos.


Joaquim Abreu de Sousa, até há poucas semanas presidente da SPO, foi ouvido esta quarta-feira na Comissão Parlamentar da Saúde a pedido do PS e após ter afirmado, em março, que foram adiadas cirurgias oncológicas devido à falta de camas.

Segundo Joaquim Abreu de Sousa, neste momento, «o tratamento dos doentes com cancro em Portugal está no vermelho», nomeadamente ao nível dos cuidados assistenciais e devido ao limite das instituições.

«Quando o sistema começa a perder resiliência, começa a perder capacidade de resistir aos eventos. Queremos prevenir situações de rutura», disse o médico.