“A implementação deste projeto vai permitir reduzir os tempos de espera na marcação de consultas, centralizar a informação sobre a admissão de doentes oncológicos no Centro Hospitalar do Algarve, disponibilizar mais informação ao médico de família e aos doentes, e assegurar um acompanhamento contínuo do médico de medicina geral e familiar, desde o diagnóstico”, revelou hoje à Lusa Assunção Martinez, coordenadora da Unidade de Saúde Familiar Ria Formosa, unidade funcional de Faro, do Centro de Saúde Central.

A Administração Regional de Saúde (ARS) Algarve, através do seu Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Central, em colaboração com o Centro Hospitalar do Algarve (CHA), vão juntar-se para implementar este “projeto inovador”, que, numa fase inicial de alguns meses, será testado nos Concelhos de Faro, Loulé, Olhão, Albufeira e São Brás de Alportel.

Assunção Martinez assegurou que não haverá um aumento da despesa para alcançar os objetivos pretendidos, tratando-se apenas de organizar de uma outra forma os serviços existentes.

“Queremos melhorar a parte dedicada ao diagnóstico, com impacto significativo na redução da mortalidade, diminuição do número de anos de vida perdidos e diminuição do sofrimento evitável, melhorar os cuidados de proximidade, aumentar o grau de satisfação do utente e melhorar o clima organizacional”, concluiu.

O projeto das três entidades prevê ainda a criação de um Centro de Triagem Oncológico no CHA, um canal de entrada no hospital com “rosto humano”, que vai garantir a previsibilidade de resposta e o acesso à informação por todos os intervenientes, e pela implementação de um processo de acompanhamento integrado oncológico.

 

“Era bom que isto fosse para todos os doentes, mas temos de começar por algum lado”, disse, por seu lado, o presidente do Conselho Diretivo da ARS do Algarve, João Moura Reis.

O projeto com o nome “Humanização dos cuidados ao doente oncológico” integra-se no programa Boas Práticas de Governação, uma iniciativa da Novartis (multinacional da área da saúde), em parceria com a Universidade Nova de Lisboa, que proporciona aos participantes uma oportunidade de acesso a um plano curricular desenvolvido pela universidade.

“A necessidade de desenvolver este projeto nasce do facto de termos percebido que existiam algumas lacunas relacionadas com a entrada do doente oncológico no hospital, nomeadamente os tempos de espera, e por não haver um processo estruturado de acompanhamento pelos cuidados de saúde primários durante o tratamento e após estabilização”, explicou Gabriela Valadas, diretora clínica do CHA.

Este ano, o programa Boas Práticas de Governação tem como tema “Caminhos para a Humanização” e “pretende criar as condições para a implementação de projetos de inovação, promovendo o desenvolvimento de boas práticas que fomentem uma maior humanização nos cuidados de saúde primários e hospitalares, que possam trazer melhorias efetivas para o doente”.

A apresentação de todos os projetos deste programa será feita no Parque Taguspark, em Oeiras, a 10 de dezembro