O Ministério Público (MP) acusou um homem de burla qualificada e de extorsão, crimes que terão causado um prejuízo de mais de 100 mil euros a uma mulher, informa a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL).

Segundo uma nota publicada na página da internet da PGDL que a Lusa cita, o homem é suspeito de ter utilizado como intermediária uma cartomante amiga da ofendida, tendo conseguido obter «a entrega criminosa [por parte da vítima]» de 108.400 euros.

«Para o efeito, aproveitando-se de manifestas vulnerabilidades psicológicas da ofendida e perante uma situação de doença oncológica de uma familiar, a cartomante convenceu a ofendida da existência de alguém com poderes espirituais de cura. A ofendida teria de fazer o pagamento de determinadas quantias para o efeito, que eram entregues à cartomante, convencida da existência daquela tal pessoa, que era afinal imaginária», explica a acusação do MP, citada pela PGDL.

Numa fase seguinte e uma vez que a vítima quis pôr termo a tais pagamentos, «foi coagida a continuar a fazê-los, mediante ameaças de revelações sobre a vida privada».

Segundo o MP, foi extraída certidão relativamente à cartomante para que as autoridades continuem as investigações em relação à mulher, a qual foi utilizada pelo arguido como intermediária, mas que se encontra com paradeiro desconhecido.

Os factos ocorreram entre 2010 e 2013.

O arguido encontra-se sujeito à medida de coação de obrigação de permanência na habitação.