2020 é a menos de seis anos. E as projeções do  Registo Oncológico Regional do Sul não são nada animadoras: o s casos de cancro de pele deverão quase triplicar e os de tumor do cólon duplicar na região sul de Portugal nesse ano, comparando com o final da década de 1990.

Ao que tudo indica, haverá, em 2020, mais de 600 novos casos por ano de melanoma, quando no princípio deste século se registavam cerca de 250 casos anuais, indicou esta quinta-feira a diretora daquela entidade, Ana Miranda. Para uma comparação mais recente, a projeção indica que em 2020 haverá 635 novos casos de melanoma, quando em 2008 se registaram 395 casos diagnósticos.

Embora estes dados sejam do Registo Oncológico do Sul, Ana Miranda lembrou à agência Lusa que se trata de uma área geográfica que representa praticamente metade do país.

Também os novos casos de cancro do cólon vão registar um aumento significativo, passando em 2020 para mais de 1800 nos homens e cerca de 1200 nas mulheres, uma duplicação face ao que sucedia em 1998.

Ana Miranda, que hoje participou no Congresso Nacional de Saúde Pública, explicou que o aumento de cancros do cólon tem muito a ver com o desenvolvimento dos rastreios e defende que esta é a melhor forma de detetar precocemente a doença, reduzir a sua gravidade e a mortalidade.

Só entre 1998 e 2009, o tumor do cólon aumentou 34% em pessoas a partir dos 45 anos, «muito provavelmente devido a um melhor diagnóstico e a uma melhor sensibilização da população para o problema».

O que pode provocar cancro de pele?

No que toca ao cancro de pele, no mesmo período, houve mais 50% de casos nos homens e de 35% nas mulheres.

A exposição intensa ao sol em idades jovens, a par de um melhor diagnóstico, estarão na base deste aumento, advertiu Ana Miranda.

A especialista considera que «campanhas bem organizadas» podem reverter esta situação. Deverão ser «feitas nos locais e no momento certo», juntando várias entidades.

Embora o aumento de casos revelado pelas projeções seja significativo, Ana Miranda considera que os serviços de saúde em Portugal precisam de estar preparados não apenas para os novos casos, mas para a prevalência total, ou seja, para o número de pessoas que vão conviver com a doença oncológica, à medida que aumenta a sobrevivência neste tipo de patologia.

Os mais recentes dados do Registo Oncológico do Sul, de 2009, mostram que os tumores mais frequentes no homem são o da próstata, da traqueia, brônquios e pulmão, do cólon, da bexiga e do reto. Na mulher, o cancro mais comum é o da mama (quase um terço dos casos), o do cólon e o do colo do útero e útero.