A Ryanair vai cancelar 20 voos de e para o Porto, entre segunda e quarta-feira. A decisão também afeta Lisboa e Faro, mas em menor escala. Até final de outubro são mais de 100 voos. Esta decisão da companhia aérea irlandesa deve-se à falta de pessoal e tem como objetivo melhorar a pontualidade dos restantes voos. A Deco já recebeu inúmeras queixas de passageiros e diz que a companhia aérea não está a respeitar os direitos dos consumidores.

Nesta segunda-feira, dia 18 de setembro, vão ser cancelados voos que partem do Porto para Barcelona (dois voos), Malpensa (Itália) e Beauvais (Paris). Também não se vão realizar os voos com destino à Invicta e que partem de Barcelona (dois voos), Frankfurt e de Beauvais.

Na terça-feira, 19 de setembro, cinco voos com partida do Porto e destino a Lisboa, Lorient (França), La Rochelle (dois voos) e Stansted (Londres) não se vão realizar. Já no aeroporto de Faro, vão ser cancelados dois voos com destino a Machester e Luton (Londres).

Dia 20 de setembro, quarta-feira, é o dia em que menos voos foram cancelados. Não se vão realizar dois que partem do Porto para Lisboa e Eidhoven (Holanda) e um de Lisboa para o Porto. Serão ainda afetados dois outros com destino ao Porto e que partem de Eidhoven e Lisboa.

A lista de voos cancelados entre os dias 20 de setembro e 31 de outubro foi entretanto divulgada pela companhia. A companhia garante, em comunicado, que esses cancelamentos afetarão apenas 2% dos passageiros. No entanto, ao todo, mais de 100 voos, com origem ou destino em Portugal, vão ser cancelados.

"A Ryanair omite direitos fundamentais dos passageiros"

Tendo em conta que muitos dos cancelamentos são de voos de e para o Porto, Lisboa ou Faro, a associação de defesa dos consumidores Deco já recebeu queixas de passageiros portugueses que foram lesados.

Para a associação, é preocupante que os consumidores tenham os voos cancelados e sejam reencaminhados para voos em datas ou horas que não sejam úteis. Além disso, a Deco está indignada com as informações que a Ryanair está a prestar aos consumidores.

Tivemos o cuidado de consultar o site da operadora de transporte aéreo e verificámos que omite direitos fundamentais dos consumidores, dos passageiros aéreos, neste caso. Estamos a falar do direito à assistência e do direto a uma indemnização pelo cancelamento do voo”, disse Paulo Fonseca, porta-voz da Deco, em declarações à TVI.

Paulo Fonseca explicou que, quando há um cancelamento, os passageiros têm um conjunto de direitos. O primeiro deles é o direito ao reembolso integral do bilhete ou o reencaminhamento para outro voo, na primeira oportunidade que surja, causando-lhes o menor transporto possível.

Por outro lado, os passageiros aéreos têm o direito à assistência. O consumidor tem direito a receber, por parte da companhia aérea, refeições, bebidas e alojamento caso tenha que pernoitar no local.

O porta-voz da Deco deixou claro que os passageiros têm também direito a uma compensação monetária, que pode variar entre 250 e 600 euros. No caso de destinos europeus, que são os destinos da Ryanair, a indemnização tem um valor máximo de 400 euros.

A indemnização poderia não ser aplicada se os consumidores fossem avisados com, pelo menos, sete dias de antecedência, mas isso não está a acontecer.

Verificámos o site da empresa e só existe informação até ao dia 20, ou seja, um passageiro que vai viajar dia 21 ou depois está sujeito aquilo que podemos chamar de ‘roleta russa’. Ou seja, esses passageiros estão, neste momento, sem saber se vão ou não vão viajar”, adiantou Paulo Fonseca à TVI.

Perante uma situação de cancelamento de voo, a Deco apela aos passageiros que apresentem uma reclamação. Em primeiro lugar, devem enviar a reclamação para a própria empresa, a Ryanair. Posteriormente, podem enviar o mesmo documento para a associação de defesa dos consumidores, para que esta possa monitorizar o processo.

A Deco está disponível para ouvir os consumidores, ajudá-los com as reclamações e acompanhar este processo”, apelou Paulo Fonseca, em declarações à TVI.

20 milhões para indemnizações

A Ryanair está a preparar cerca de 20 milhões de euros em indemnizações, anunciou um porta-voz da companhia aérea irlandesa, esta segunda-feira, de acordo com a agência Reuters.

A empresa de aviação admitiu ter falhado ao cancelar milhares de voos, para lidar com a falta de pessoal e para melhorar a pontualidade.

Esta é uma confusão criada por nós. Pedimos desculpa, sinceramente, a todos os nossos clientes por qualquer preocupação ou transtorno que isto lhes tenha causado", afirmou a Ryanair, em comunicado.

De acordo com a companhia irlandesa, os clientes afetados pelos voos cancelados vão receber um e-mail com ofertas de voos alternativos e informações sobre as indemnizações. Caso não queiram viajar noutro voo, vão receber o reembolso completo do bilhete .

A companhia aérea de baixo custo anunciou, na passada sexta-feira, em Dublin, o cancelamento de 40 a 50 voos por dia, durante seis semanas, até ao final de outubro, num total de cerca de 2.000 voos.

A Ryanair afirma que o objetivo é "melhorar a sua pontualidade”, que diz ter caído “abaixo de 80%” nas duas primeiras semanas de setembro. Além disso, a transportadora aérea diz que tem de dar férias aos pilotos e pessoal de cabine e que, por essa razão, não é possível manter o ritmo de voos.