Os afogamentos, que este ano já provocaram a morte a mais de 40 pessoas em Portugal, são o tema central de uma campanha lançada esta semana pela Direção-Geral da Saúde (DGS), que aposta na prevenção.

A gravidade dos afogamentos não se restringe aos casos que resultam em morte, uma vez que as pessoas hospitalizadas na sequência de afogamentos têm, muitas vezes, prognóstico reservado”, indica a DGS, lembrando que a Associação para a Promoção da Segurança Infantil estima que, para cada criança que morre afogada, outras duas a três sejam internadas na sequência de um afogamento.

Os dados do Observatório do Afogamento, uma plataforma da Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores, indicam que este ano, até ao dia 1 de maio, já morreram afogadas 36 pessoas, metade das quais nas praias.

Depois de divulgados estes dados, foram diversos os casos de afogamentos registados, sobretudo em zonas não vigiadas.

Os números do observatório indicam ainda que as mortes ocorreram não só em praias, mas também em rios, poços, tanques de rega, piscinas, valas e marinas.

De acordo com os dados da Autoridade Marítima Nacional, de 1 de maio a 30 de setembro do ano passado morreram 17 pessoas em acidentes relacionados com a época balnear, um aumento dos casos mortais relativamente ao ano anterior.

A DGS alerta que as mortes por afogamento podem ser evitadas com prevenção e aconselha os adultos vigiarem os mais pequenos, a instalar barreiras de acesso às piscinas e reservatórios de água, optar sempre por locais considerados seguros e com vigilância e ter sempre próximo os equipamentos de segurança.

Segundo os dados da Organização Mundial da Saúde, disponibilizados em cartazes com informação sistematizada no ‘site’ da DGS no âmbito desta campanha, indicam que 372.000 pessoas morrem no mundo por afogamento todos os anos.

Indicam ainda que mais de metade das mortes por afogamento ocorrem em pessoas com idades abaixo dos 25 anos, sendo aliás uma das 10 principais causas de morte no mundo até essa idade, e que no sexo masculino a probabilidade de afogamento é duas vezes superior.

Quanto aos fatores de risco, os dados incluídos no cartaz divulgado pela DGS no âmbito desta campanha de prevenção e alerta referem que as taxas mais elevadas de afogamento encontram-se entre as crianças de 1-4 anos de idade.

No caso das crianças, os principais locais de afogamento são as piscinas (28%), seguidas das praias (22%), tanques e poços (22%) e os rios ribeiros e lagoas (22%).

Os últimos dados disponibilizados pela APSI indicam que os afogamentos continuam a ser a segunda causa de morte acidental nas crianças e recorda que os meses de julho e agosto são “os mais críticos”.

Em Portugal, por ano, o afogamento é responsável por nove mortes em crianças e jovens. Associado a este tipo de acidente existe também um número elevado de internamentos que, em média e por ano, correspondem a um total de 32 casos”, sublinha a APSI.

A associação frisa igualmente que as crianças hospitalizadas “apresentam normalmente um prognóstico reservado e, nos casos em que estas sobrevivem, podem ficar com lesões neurológicas permanentes com impacto a diferentes níveis (saúde, sociais, económicos) ”

“A qualidade de vida da criança e da família fica muitas vezes comprometida”, insiste a APSI, recordando que “o afogamento é um acontecimento muito rápido, silencioso e que acontece em muito pouca água”