O presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviário (ANSR) considerou  esta segunda-feira que deviam existir caminhos paralelos dedicados aos peregrinos que vão a pé para Fátima, mas admitiu que é impossível construi-los em todo o país.

“Pessoalmente, entendo que devia existir um caminho Fátima, caminhos pedonais paralelos ou não paralelos às estradas, uma separação completa do tráfego dos peregrinos do tráfego rodoviário, era a maneira mais segura de abordar o problema”, disse à agência Lusa Jorge Jacob, à margem de sessão para assinalar a Semana Global da Segurança Rodoviária das Nações Unidas, que começa esta segunda-feira.


O presidente da ASNR falava a propósito do acidente que ocorreu às 04:00 de sábado, em Cernache, distrito de Coimbra, e que provocou a morte de cinco peregrinos, dois dos quais escuteiros, após o automóvel se ter despistado à saída de uma curva e invadido a faixa contrária onde seguiam, a pé, cerca de 80 pessoas provenientes de Mortágua com destino a Fátima.

“Sem dúvida que a melhor solução seria separar e existir um caminho paralelo para os peregrinos”, sustentou, acrescentando que na região de Lisboa há vários caminhos para Fátima que são dedicados aos peregrinos e que utilizam em exclusividade, relata à Lusa.

Porém, admitiu que construir caminhos paralelos “é impossível de o fazer no país todo e em toda a rede viária que convergem para Fátima”.


Sobre o acidente de sábado, o presidente da ANSR disse que os peregrinos “iam devidamente identificados e levavam coletes refletores” e que o desastre ocorreu “numa estrada em que uma das três vias estava reservada” para estes caminhantes.

“Aparentemente estavam reunidas todas as condições de segurança para que não se tivesse verificado um acidente daqueles“, adiantou.

O condutor envolvido no acidente de sábado que vitimou os cinco peregrinos foi proibido, pelo tribunal, de conduzir e obrigado a apresentações semanais às autoridades, informou fonte judicial.

O arguido, que está indiciado de cinco crimes de homicídio negligente, foi ouvido no Tribunal de Instrução Criminal, depois de ter sido ouvido esta segundo de manhã no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Coimbra.