O vice-presidente de uma das associações de diretores escolares, Filinto Lima, afirmou que «era escusado o IAVE ter vindo culpar os professores» pelo atraso na classificação dos testes de inglês do 9.º ano, atribuindo responsabilidades à estratégia do instituto.

«O IAVE (Instituto de Avaliação Educativa) estrategicamente devia ter pensado que não teria uma adesão "por aí além" dos professores para a classificação destes testes de diagnóstico quando este é um trabalho voluntário. Era escusado vir culpar os professores», disse à Lusa o vice-presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima.

O IAVE vai falhar a data legalmente estabelecida de 04 de junho para divulgar os resultados do teste de inglês do 9.º ano devido à insuficiência de professores classificadores e alteração das datas da prova oral, conforme anunciou na segunda-feira o próprio instituto, em comunicado.

«Como é público, o projeto de aplicação do teste Key for Schools contou, numa fase inicial, com cerca de 1200 professores que se disponibilizaram para realizar as tarefas de classificação, tendo para o efeito participado na formação promovida pela Universidade de Cambridge e pelo IAVE. No entanto, apenas pouco mais de 800 professores têm estado efetivamente envolvidos no processo» lia-se no comunicado.

Para Filinto Lima o IAVE devia ter evitado a culpabilização dos docentes e acautelado, desde o início, a possibilidade de não se voluntariarem os professores em número suficiente para cumprir os prazos.

«No próximo ano não ficava mal ao Cambridge pagar aos professores pela correção das provas», sugeriu o responsável associativo, que diz que foi o caráter voluntário e gratuito deste trabalho que afastou o interesse de muitos docentes.

Apesar de ser apenas uma prova de diagnóstico, e concebida por uma entidade externa, fora da alçada do Ministério da Educação, foi dada a possibilidade de os resultados do teste dos alunos do 9.º ano serem utilizados na ponderação da nota de final de ano, com um peso de 25%, se os professores assim entendessem, e se houvesse aprovação por parte do Conselho Pedagógico das escolas.

Filinto Lima diz que ainda serão «bastantes as escolas» onde os professores contavam com os resultados do Key for Schools para concluir a avaliação de 3.º período e de final de ano dos alunos, e que agora, depois de anunciado Ministério da Educação que os resultados só serão conhecidos em julho, terão que basear a avaliação dos alunos no restante trabalho realizado.

«A mossa que estes atrasos possam causar na avaliação dos alunos é diminuta, mas são situações que não deviam acontecer», defendeu o vice-presidente da ANDAEP.

Algumas reuniões de avaliação começam já na quinta-feira, acrescentou o responsável.

Eduardo Lemos, presidente do Conselho de Escolas, disse à Lusa que na sua escola apenas uma turma estaria a contar com os resultados do teste para a avaliação de final de ano, mas que isso não representa qualquer problema para a escola e para a avaliação final dos alunos.

E reiterou críticas anteriores à forma como os exames estão organizados e como tem decorrido o processo.

«Os exames estão a correr mal, têm que ser repensados. Têm acontecido algumas trapalhadas que deviam levar a rever o processo a nível central, junto do IAVE, não ao nível das escolas», disse.

O teste «Key for Schools» foi concebido pelo Cambridge English Language Assessment, da Universidade de Cambridge, consiste numa componente escrita e numa componente oral e foi introduzido no sistema educativo português este ano, tendo sido realizado por cerca de 121 mil alunos.