A Câmara de Lisboa vai recolher lixo e varrer e lavar as ruas da cidade na madrugada de segunda-feira, depois de terminada a greve dos cantoneiros do município, disse à agência Lusa o vereador da Higiene Urbana, Duarte Cordeiro.

O objetivo da autarquia é «normalizar a situação o mais depressa possível», disse.

Duarte Cordeiro afirmou que a câmara está «a concentrar esforços para escalar o maior número de trabalhadores possível para que se efetue, desde a primeira hora depois de terminada a greve, a recolha de resíduos e a varredura e lavagem das ruas».

Os cantoneiros do município de Lisboa estão em greve desde o dia 24 de dezembro. A paralisação, em protesto contra a transferência de competências da câmara para as juntas de freguesia, prolonga-se até domingo e afetará, nestes últimos dias, apenas o trabalho em horas extraordinárias.

A autarquia tem assumido as dificuldades que esta greve criou à gestão da limpeza e higiene urbana da cidade, mesmo tendo os trabalhadores cumprido os serviços mínimos e apesar da ajuda que a câmara recebeu das juntas de freguesia.

Duarte Cordeiro voltou ainda a sublinhar que «a recolha do lixo não transitará para as freguesias». No departamento da Higiene Urbana, apenas a lavagem e a varredura das ruas passarão a ser responsabilidade das juntas.

Para o Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML), esta medida extraordinária agora conhecida «prova que a greve atingiu os seus objetivos, chamando a atenção de todos para o problema dos 1.800 trabalhadores que o município vai transferir para as juntas».

Vítor Reis, presidente do sindicato, lembrou que este protesto foi convocado também para defender o serviço público: «A transferência de competências para as freguesias pode ser a abertura da porta para a externalização da prestação de serviço. Não quer dizer que seja direto, nem para hoje ou para amanhã, mas este é um perigo real».

O sindicato pretende que «os trabalhadores da câmara transitem para as juntas de freguesia em regime de mobilidade» e está ainda preocupado com «a possibilidade de as juntas não respeitarem os perfis funcionais dos trabalhadores».

Vítor Reis faz um balanço positivo da greve, mas considera que «as razões do protesto se mantêm» e diz, por isso, que o STML «não descarta nenhuma forma de luta no futuro próximo».