O Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP) da Universidade Católica Portuguesa apresentou esta quinta-feira, em Lisboa, um estudo sobre a participação dos cidadãos, que revela que cerca de 75% dos cidadãos desconhece a atividade das autarquias.

O estudo faz parte do projeto CESOP-Local que visa “criar uma espécie de ferramenta capaz de captar a opinião das pessoas e a partir daí ajudar as autarquias a fazer um trabalho melhor”, disse à agência Lusa o investigador do CESOP João António.

Realizado em fevereiro deste ano, o estudo sobre a participação dos cidadãos na vida das autarquias incidiu sobre a Área Metropolitana de Lisboa (AML) e as regiões Oeste e Tejo, tendo como amostra 746 cidadãos residentes na AML e na região Oeste - 60% mulheres e 40% homens e, quanto ao grau de instrução, 38% não completaram o ensino secundário, 31% completaram o ensino secundário e 31% eram licenciados – e 91 autarquias da AML e das regiões Oeste, Lezíria e Médio Tejo - 68 Juntas de Freguesia e 23 Câmaras Municipais.

Os primeiros resultados do estudo indicam que “três quartos das pessoas [o que corresponde a cerca de 75%] dizem que não estão informadas ou estão pouco informadas sobre a atividade da autarquia”, revelou João António, acrescentando que “há ainda um quatro das pessoas [cerca de 25%] que diz que não recebe qualquer tipo de informação” sobre o trabalho da autarquia.

As pessoas participam pouco e muitas não querem participar mais”, afirmou.

Um dos aspetos positivos é o contacto das pessoas com os órgãos de gestão autárquica, referiu o investigador do CESOP, explicando que “há poucas pessoas a participar, mas quando as pessoas se deslocam têm tido uma boa resposta por parte da autarquia, quer do ponto de vista da amabilidade e da simpatia, mas essencialmente do ponto de vista da resposta”.

Segundo o estudo, existe “algum desajuste entre a perceção dos autarcas e a perceção dos cidadãos”.

Os autarcas, mais do que os cidadãos, tendem a considerar que a informação chega a todos os interessados e que os órgãos de gestão autárquica estão acessíveis a todos e subvalorizaram a disponibilidade dos cidadãos para a participação no planeamento das ações da autarquia.