Notícia atualizada às 12:47

A Câmara do Porto estima que «cerca de 400 pessoas» frequentassem «diariamente» os edifícios abandonados da antiga fábrica de sabões do Porto, associados à prostituição, tráfico e consumo de droga, cuja demolição começou esta manhã.

«Calcula-se que os edifícios abandonados, e cujas vedações eram permanentemente violadas, fossem frequentados diariamente por cerca de 400 pessoas, que ali consumiam droga, traficavam e se prostituíam», escreve a autarquia numa nota publicada no seu site.

Naquele local de Lordelo do Ouro, a Câmara identificou «enormes salas de chuto», perigo para saúde pública devido à existência de «amianto em degradação», telhados «partidos e a cair», varandas «em risco de ruína» e instalações elétricas «com ligações clandestinas» e «riscos de incêndio e eletrocussão eminente».

«O espaço tem funcionado nos últimos anos como um dos principais focos de tráfico e consumo de droga na cidade e era utilizado por traficantes de todo o género de estupefacientes, que ali desenvolviam a sua atividade diariamente», acrescenta a autarquia.

A Câmara indica ainda que os edifícios, «sem atividade há décadas», eram habitados por 15 pessoas «em condições de vida sub-humanas».

A autarquia acrescenta que os moradores do bairro vizinho se queixavam «dos problemas de segurança e salubridade públicas que as atividades de tráfico e consumo de droga e de prostituição ali desenvolvidas representavam».

De acordo com a autarquia, o processo de tomada de posse administrativa do terreno foi iniciado «apenas duas semanas» depois de Rui Moreira ter sido empossado presidente da Câmara, tendo em conta o «problema social gravíssimo» do espaço.

As demolições começaram hoje porque terminaram na sexta-feira «os trâmites legais e o prazo dado em edital para que os proprietários tomassem medidas», justifica o site do município.

A antiga fábrica, que começou por produzir sabão e mais tarde se dedicou à transformação de metais, começou esta segunda-feira a ser demolida por volta das 07:40, depois de uma brigada cinotécnica da PSP ter verificado se estavam pessoas no edifício.

Nas «últimas semanas», a Câmara esteve no local para aplicar um plano social de ajuda às pessoas que ali viviam, tendo contado com o apoio de diversas entidades, nomeadamente a Administração Regional de Saúde, o Centro Distrital de Segurança Social do Porto, a Polícia Municipal, o Batalhão de Sapadores Bombeiros e a Proteção Civil.

No âmbito deste processo, os serviços sociais propuseram alojamento aos habitantes regulares do local mas apenas três aceitaram a ajuda.

A retirada de pessoas do local foi dada concluída na sexta-feira e, desde essa altura, a Polícia Municipal tem-se mantido presente no sentido de impedir a reocupação das instalações.

O processo de demolição de todos os edifícios da fábrica deverá ficar concluído no prazo de uma semana.