O município de Marvão comprou ao Estado, por cerca de 800 mil euros, o bairro residencial e imóveis da antiga estação da fronteira de Galegos. O espaço conta com 40 fogos habitacionais, construídos de forma dispersa.

No aldeamento, denominado por Porto Roque, funcionaram também os serviços alfandegários e o posto da guarda-fiscal. «Vamos a pouco e pouco requalificar aquela zona, de uma forma sustentável. O nosso objetivo passa por vender ou arrendar os imóveis, estando também abertos a qualquer investidor que queira ali desenvolver algum projeto», explicou o presidente do município, Vítor Frutuoso, em declarações à agência Lusa.

No aldeamento, onde residem ainda quatro famílias, o município espera investir mais de um milhão de euros na sua requalificação da rede de esgotos, água, eletricidade e comunicações.

«O nosso objetivo não era comprar o empreendimento, era, sobretudo, que fosse feita uma requalificação da zona e no nosso entender deveria ser vendida fração a fração, mas a Direção Geral do Tesouro e Finanças entendeu que só vendia o conjunto habitacional»


Para «desbloquear» a situação, Vítor Frutuoso considera que o município fez «a sua obrigação», ao desencadear um conjunto de ações para evitar que, no futuro, se mantenha o aldeamento abandonado, sem qualquer tipo de intervenção.

«Queremos desbloquear a situação para agir com as pessoas, no sentido de quem tiver interessado comprar a sua habitação, criar possibilidades de arrendamento e dar alguma dinâmica socioeconómica para ver se conseguimos que aquela zona tenha toda a dignidade e vida», declarou.

A abolição das fronteiras ocorreu a 1 de janeiro de 1993, situação que conduziu ao abandono do património existente na zona. Uns anos mais tarde, em 1997, o edifício do antigo posto da guarda-fiscal foi transformado em Posto de Turismo, mas passados 10 anos o equipamento encerrou por falta de condições.