A Ordem dos Enfermeiros (OE) considera que os enfermeiros das urgências do hospital das Caldas da Rainha são suficientes e defende num relatório que o funcionamento «caótico» do serviço se deve à falta de respostas sociais.

De acordo com a OE, em citação da Lusa, o serviço de urgência do Hospital das Caldas da Rainha tem «uma dotação adequada de enfermeiros», contando com um total de 48 profissionais (incluindo o enfermeiro-chefe), mais dois do que os exigidos pelo Ministério da Saúde para atingir a «dotação segura».

A conclusão consta de um relatório, a que a Lusa teve acesso, enviado à administração do Centro Hospitalar do Oeste (CHO), que integra os hospitais das Caldas da Rainha, Torres Vedras e Peniche.

Na sequência da visita efetuada a 28 de março, a OE denunciou o funcionamento «caótico» do serviço e constatou existirem entre 30 a 50 macas «quase em permanência nos corredores» do serviço, onde a média de internamento é de 4,3 dias, quando não deveria ultrapassar as 48 horas.

A situação foi corroborada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, que tem contestado a não renovação de contratos com enfermeiros e tem agendada para 1 de maio uma vigília, caso não sejam contratado mais profissionais e aumentada a capacidade de internamento.

No relatório, a OE clarifica que o problema da urgência «não se coloca na dotação, mas sim no excessivo número de doentes que permanece em maca, internados no serviço de urgência, sem encaminhamento apropriado», comprometendo a prestação de cuidados e a segurança de utentes e profissionais.

A ordem considera que a solução para o problema está «fora do alcance do conselho de administração do CHO, por resultar de fatores complexos e relacionados com a falta de respostas ou respostas inadequadas na comunidade».

Num comunicado enviado hoje às redações, o CHO considera que as conclusões do relatório «certificam como verdadeiras» as justificações dadas pela administração, que já admitiu a «constante sobrelotação» da urgência. Nos serviços, acrescenta, regista-se um aumento de «utentes idosos e muitas vezes socialmente desfavorecidos, que ocupam camas sem serem necessariamente doentes urgentes».

Apesar de o número de enfermeiros ser o adequado e de a urgência «ter boas condições físicas, estruturais e organizacionais», a OE alerta para o facto de a sobrelotação originar «stress permanente» nos profissionais, que acusam «forte desgaste físico, gerador de fadiga, exaustão e desmotivação generalizada».

No relatório, a OE faz ainda um conjunto de recomendações com vista à melhoria das condições de trabalho dos enfermeiros.

O CHO tem atualmente 33 camas de internamento no serviço de medicina das Caldas da Rainha, 60 no Hospital de Torres Vedras e 20 no Hospital de Peniche. Além das populações daqueles concelhos, abrange as de Óbidos, Bombarral, Cadaval, Lourinhã e de parte dos concelhos de Alcobaça e de Mafra, servindo mais de 292.500 pessoas.