O alegado líder de uma associação criminosa envolvida em burlas qualificadas, falsificação de documentos, insolvências dolosas e branqueamento de capitais foi detido nas Caldas da Rainha, anunciou a Polícia Judiciária (PJ).

«O detido liderava um grupo organizado que fazia modo de vida da prática reiterada de crimes de burla qualificada, concretamente através da aquisição fraudulenta de diversos tipos de mercadorias, depois comercializadas a preços inferiores aos vigentes no mercado», informa a PJ num comunicado de imprensa, acrescentando que foi determinada a sua prisão preventiva.

O homem, de 50 anos e «sem ocupação profissional definida», foi detido pelo Departamento de Investigação Criminal de Leiria, que já em abril havia detido cinco elementos do mesmo grupo.

Na ocasião o coordenador da PJ de Leiria, António Sintra, explicou à agência Lusa que «as burlas eram feitas através da compra de empresas em situação económica difícil», em nome das quais o grupo «adquiria mercadorias que pagava com cheques pré-datados, que depois não tinha provisão e que, quando os lesados se apercebiam, as empresas já tinham declarado falência».

Segundo a mesma fonte, os cheques eram usados para comprar «desde produtos agropecuários, de veterinária ou de deteção de incêndios, até carne para consumo», produtos que «depois eram vendidos abaixo do preço, proporcionando lucro».

Em buscas domiciliárias realizadas nas casas dos suspeitos, na região das Caldas da Rainha, a PJ apreendeu provas documentais (referente a burlas e falsificações de documentos), duas espingardas caçadeiras, uma delas com os canos serrados, uma pistola de calibre 6,35 milímetros e munições em situação ilegal.

Em casa de dois dos detidos foram ainda detetadas em funcionamento duas estufas artesanais para produção de canábis e apreendidas três bolotas de haxixe e 34 selos de LSD.

A PJ estima que dezenas de pessoas e entidades tenham sido lesadas pelo grupo.