O engenheiro responsável pelo levantamento das causas do colapso do viaduto da A15, onde morreram quatro operários e 12 ficaram feridos, defendeu esta quinta-feira em tribunal que o acidente se deveu a anomalias do cimbre cujo projeto não foi cumprido. O colapso ocorreu a 19 de janeiro de 2001, durante as operações de betonagem de um viaduto na Fanadia, concelho das Caldas da Rainha.

«A minha convicção é que a queda do viaduto aconteceu por causa do cimbre [estrutura metálica que sustentava a construção do pilar do viaduto] que não tinha reserva de segurança suficiente», afirmou Secundino Vilar, engenheiro na empresa Novopca à data do acidente.

O engenheiro refutou quaisquer erros «na fundação do cimbre», projetada pela empresa em que trabalhava, e apontou críticas à estrutura do cimbre, construída pela empresa Mecanotubo.

«O projeto do cimbre era diferente daquilo que foi aplicado na obra», contou, o que terá resultado num aumento da carga exercida pelo tabuleiro que estava a ser betonado sobre as torres de metal, «que podem ter chegado ao limite da sua resistência».

A testemunha que hoje prestou esclarecimento técnico ao tribunal durante quase oito horas vai ter de voltar ao tribunal das Caldas da Rainha para uma acareação que vai ser requerida por Ricardo Braga, defensor de quatro funcionários da Mecanotubo.

«Vou requer a acareação desta testemunha com o responsável pela tradução técnica do dossiê da estrutura do cimbre, para confrontar declarações que não me parecem tecnicamente corretas», adiantou à agência Lusa o advogado, que irá também chamar a testemunhar o administrador da Mecanotubo.

Doze anos depois do colapso do viaduto da A15, o tribunal das Caldas da Rainha vai repetir o julgamento dos 13 arguidos cuja condenação o Tribunal da Relação anulou devido a irregularidades no processo.

A repetição do julgamento dos 13 arguidos foi iniciada a 21 de outubro no Tribunal das Caldas da Rainha, onde habitualmente decorrem sessões de segunda a quinta-feira.

As sessões estão, no entanto, interrompidas até 28 de janeiro, para que o juiz possa notificar testemunhas que não foram convocadas pela defesa e pela acusação.

Depois destas testemunhas, serão ouvidos de 10 a 12 de fevereiro quatro dos 13 arguidos que manifestaram interesse em depor.