A Polícia Judiciária deteve, entre março de 2011 e dezembro de 2014, mais de 140 pessoas responsáveis por assaltos a caixas de multibanco em todo o país, disse à agência Lusa uma fonte daquela polícia.

Uma fonte da Brigada Central de Informação e Banditismo, inserida na Unidade Nacional de Contra-Terrorismo (UNCT) da PJ, adiantou à Lusa que em 2012 registou 156 ataques a caixas de multibanco com recurso a gás/explosivos, dos quais 53 ocorreram sem sucesso, já que eram destruídas as instalações, as máquinas, mas os ladrões não conseguiam apoderar-se do dinheiro. Mais tarde, passou a ser usado um sistema para tingir as notas.

Em 2013, aquela polícia de investigação registou 40 assaltos deste género, 24 sem sucesso, e no ano passado 54 roubos a caixas de multibanco em todo o país, dos quais 30 sem êxito. Segundo a Judiciária, ao longo dos últimos anos houve uma diminuição no número de assaltos a caixas ATM.

Este tipo de crimes, com recurso à utilização de materiais gasosos e explosivos, só passou para a exclusividade da investigação por parte da Polícia Judiciária em março de 2011, referiu a fonte da UNCT, explicando que, até essa data, estes roubos «eram difusos, espalhados pelo território nacional, efetuados com recurso a retroescavadoras, rebarbadoras ou pés de cabra» e contavam com a intervenção de todos os órgãos de polícia criminal.

«Em consequência, a informação sobre as centenas de assaltos a multibancos estava espalhada por várias secções do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DIAP), em diferentes zonas de intervenção policial, e pelos respetivos representantes do Ministério Público, ou seja, com informação desgarrada», indicou a mesma fonte.

A partir de 2011, como este «fenómeno grave» colocava em risco a segurança pública e porque o modus operandis (modo de atuação) mudou, passando os roubos que eram executados com retroescavadoras ou rebargadoras a serem efetuados com recurso a gás ou explosivos e por grupos com uma ação mais organizada, a PJ passou a «tomar conta deste tipo de ataques».

Assim, com a constituição de equipas especializadas e devidamente orientadas para o acompanhamento destes fenómenos, esta investigação ficou mais centralizada e passou a ser dirigida pela então Direção Central de Combate ao Banditismo (DCCB), atual UNCT, que, na sequência do trabalho desenvolvido, conseguiu uma diminuição do número deste crimes, frisou a fonte.

«O fenómeno não terminou, mas houve uma diminuição significativa ao longo dos últimos quatro anos», indicou a fonte da PJ.

Também a SIBS, que gere o sistema de multibanco em Portugal, referiu à Lusa que o número global de assaltos diminuiu desde 2012. Em 2014 foram efetuados 66 ataques a caixas de multibanco, 36 dos quais sem sucesso, e em 2013 ocorreram 67 ataques, 51 sem êxito. Segundo a SIBS, no ano de 2012, foram registados 222 ataques, dos quais 65 concretizados e 157 sem sucesso.

A SIBS informa também que o número de caixas de multibanco no país tem vindo a diminuir, sendo 14.000 em 2012, 12.900 em 2013 e 12.800 no ano passado.

O aumento do número de assaltos sem sucesso resultou, segundo a SIBS, das «medidas desencadeadas pelos bancos proprietários dos multibancos», em colaboração com aquela entidade.

Na origem da diminuição estão, segundo a SIBS, a implementação de sistemas de prevenção, como o uso de sistemas de tintagem das notas e melhor ancoragem das caixas ao chão, para impedir o furto integral do equipamento através de arrancamento.