As associações zoófilas são cada vez mais solicitadas por donos que «chegam a chorar» por não terem dinheiro para alimentar os animais e que assumem não terem comida para eles próprios, denunciou a Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais.

A Presidente da Liga Portuguesa dos Direitos dos Animais (LPDA), Maria do Céu Sampaio, disse à agência Lusa que a situação tem vindo a agravar-se nos últimos dois anos, mas que está a atingir «proporções nunca vistas».

O desemprego, a perda de casa por incumprimento com o banco e a emigração forçada são algumas das razões que contribuem para cada vez mais pessoas não conseguirem manter os seus animais.

Maria do Céu Sampaio enumerou ainda o aumento do IVA na comida para animais e nos cuidados veterinários como fator que contribuiu para o afastamento de cada vez mais pessoas destes cuidados fundamentais para os animais.

A situação levou a LPDA a criar uma solução para os casos mais graves e de comprovada insuficiência económica que consiste na oferta de comida para os animais de donos que não podem assegurar estas despesas.

«Temos uma campanha que funciona em casos de muita e comprovada gravidade e que consiste no encaminhamento de dádivas de empresas de comida para animais para os mais necessitados», disse.

Maria do Céu Sampaio reconhece que esta é «uma gota de água» e que «não chega a todo o país».

A «falta de apoios» também tem dificultado a ação destas associações, que têm assistido, com «preocupação», a uma cada vez mais frequente oferta de donativos a particulares.

«Algumas pessoas fazem o possível e o impossível para ajudar os animais e sabemos que aplicam nesta ajuda os donativos que recebem. Mas há outras que ninguém sabe o que fazem», denunciou.

Por esta razão, a presidente da Liga defende que quem queira ajudar se filie em associações, de modo a que o rasto dos donativos possa ser seguido.