A Força Aérea Portuguesa divulgou este sábado novas imagens dos bombardeiros russos que na sexta-feira entraram no espaço aéreo de responsabilidade nacional.

No comunicado, a Força Aérea informa que «o Sistema de Defesa Aérea (DA) da FA detetou duas aeronaves não identificadas numa zona a noroeste de Portugal continental e com rumo sul, sem plano de voo e sem comunicações com o Controlo de Tráfego Aéreo».

«O Centro de Relato e Controlo da FA reportou de imediato para a estrutura militar NATO da qual depende, tendo sido decidido ativar a parelha de aeronaves F16 Fighting Falcon, em alerta permanente na Base Aérea de Monte Real, para intercetar e identificar as aeronaves», descreve ainda o comunicado.

Segunda a mesma fonte, «as aeronaves foram identificadas como sendo Bombardeiros Tu-95 “Bear”, de nacionalidade russa».

A Força Aérea precisa que a «missão foi muito semelhante à efetuada no dia 29 de outubro. Contudo, desta vez as aeronaves intercetadas mantiveram o rumo em direção a sul por mais algum tempo. Depois, voltaram a mudar o rumo para norte, tendo sido escoltados até à sua saída do espaço aéreo de responsabilidade nacional».

As autoridades nacionais explicam ainda que fizeram «descolar uma segunda parelha de aeronaves F-16, a qual aguardou no limite do espaço aéreo de responsabilidade nacional, com o objetivo de garantir a continuidade da escolta, caso as aeronaves russas invertessem de novo o seu rumo, o que não se verificou».
 
Os vários aviões militares russos que violaram sexta-feira de manhã o espaço aéreo nacional obrigaram as autoridades aeronáuticas a desviar aviões comerciais. Isto porque os bombardeiros russos passaram muito perto da zona terminal da aproximação de Lisboa.
 
As incursões de aviões militares russos têm aumentado em 2014.  De acordo com a NATO, só em 2014 foram detetadas mais de 100 operações no espaço de segurança europeia, o triplo de 2013. Estas operações russas, mais que uma provocação, pretendem ser testes aos sistemas de defesa da NATO e obrigar a uma revisão dos acordos de segurança estabelecidos em 1991 entre a Rússia e o Ocidente na sequência da queda do Muro de Berlim e do fim do regime soviética.

Esta não foi a primeira vez que caças russos voaram perto de Portugal. Na quarta-feira deu-se o primeiro incidente. As duas interceções realizadas pelos caças F-16 portugueses em espaço aéreo internacional sob jurisdição de Portugal, ocorridas na quarta-feira e esta sexta-feira, foram as únicas envolvendo aviões militares há pelo menos 20 anos, segundo uma fonte militar. 

Os dois bombardeiros Tupolev-95 intercetados na quarta-feira estavam a 100 milhas da costa portuguesa (185 quilómetros de Peniche), enquanto os dois aviões do mesmo modelo intercetados esta manhã pelos F-16 portugueses encontravam-se a 90 milhas (170 quilómetros) do Porto. 

O espaço aéreo nacional ou considerado de soberania nacional vai até às 12 milhas. A partir daí e até ao limite das denominadas Regiões de Informação Aérea - Flight Information Region (FIR) - de Lisboa e de Santa Maria, no Oceano Atlântico, é considerado espaço aéreo internacional, mas sob jurisdição de Portugal, cabendo a Portugal a sua monitorização.