Um talhante, caçador há 40 anos, confessou hoje no Tribunal de Torres Vedras o homicídio de um amigo, que assistia a um jogo de futebol num café, admitindo que foi a casa buscar a arma para o matar.

«Fiz para matar», afirmou ao coletivo de juízes o arguido, de 59 anos, acusado de homicídio qualificado.

O arguido descreveu que, depois de sair do café para ir buscar a arma a casa, ao lado do estabelecimento, na localidade de Furadouro, voltou a entrar "cinco minutos" depois, "apontou a arma à cara" da vítima da porta do estabelecimento, a cerca de cinco metros de distância, e "disparou na direção dele".

«Estava passado», acrescentou, explicando que, à semelhança do que refere a acusação do Ministério Público (MP), em março deste ano, a vítima, de 58 anos, o abordou, dando-lhe um toque com o joelho na perna e este lhe disse para não voltar a fazer a mesma coisa por estar a recuperar de uma operação ao joelho.

Apesar de admitir que agiu para matar, o caçador disse que «nunca teve ideia» de cometer o homicídio, acrescentando que «foi a casa buscar a espingarda para lhe tomar medo».

Porque a vítima o agarrou nos colarinhos e o ameaçou, ausentou-se do café para ir a casa buscar a espingarda, voltando ao estabelecimento com a arma munida de um cartucho, com o qual disparou, e levando outros dois no bolso.

Várias testemunhas afirmaram em tribunal que «não houve tempo» para alguém ter reagido, porque «assim que entrou no café apontou e disparou».

A vítima, com quem já tinha tido zangas no passado, foi atingida na cabeça, quando estava sentado a assistir ao jogo de futebol, e acabou por falecer dentro do café, com graves ferimentos na cara.

O arguido, que se encontra a aguardar julgamento em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Leiria, foi detido pela GNR ainda no local do crime, após alerta dos proprietários do café.

O julgamento prossegue à tarde, com a audição de oito testemunhas.