O Tribunal de Barcelos condenou hoje a 16 anos de prisão um homem que matou um cunhado a tiro, no meio de um campo de milho em Fornelos, naquele concelho, em setembro de 2012.

O arguido, de 62 anos, terá ainda de pagar uma indemnização total de 70 mil euros à viúva e aos quatro filhos da vítima.

Segundo o coletivo de juízes, o arguido, no dia do crime (06 de setembro) meteu-se no trator, pegou numa caçadeira e foi a um campo «tirar satisfações» com o cunhado, de 68 anos, por causa do desaparecimento de uma nogueira que lhe pertencia e também por causa de uma frase atentatória da sua honra, escrita a tinta num muro da freguesia.

O arguido considerava que ambos os atos foram da autoria do cunhado.

Após uma breve discussão, e ainda segundo o tribunal, pegou na arma, que estava municiada com dois cartuchos, e efetuou um disparo na direção do pescoço do cunhado, «com intenção de matar».

A vítima caiu e ficou prostrada no chão, tendo o agressor regressado a casa, sem lhe prestar auxílio.

O arguido estava acusado pelo Ministério Público de homicídio qualificado, mas o tribunal considerou que o motivo que o levou a cometer o crime não pode ser classificado como «fútil», pelo que entendeu condená-lo por homicídio simples, agravado pela utilização de uma arma de fogo.

A advogada de defesa, Sílvia Torres, anunciou que vai recorrer da pena hoje aplicada, considerando-a «muito pesada» para as circunstâncias em que o crime decorreu, nomeadamente as debilidades físicas do arguido, que algum tempo antes tinha tido um AVC, e o «medo» em que ele teria do cunhado.

Para a advogada, estas circunstâncias justificam a condenação por homicídio privilegiado.

Durante o julgamento, o arguido alegou que o disparo foi acidental, tendo acontecido quando o cunhado lhe tentava tirar a arma.

Disse ainda que arguido tinha a caçadeira consigo porque ia à caça das rolas.

A versão não convenceu o tribunal, que sublinhou que o arguido, um caçador com mais de 35 anos de experiência, levou a caçadeira «para o que desse e viesse», «sabia muito bem o que estava a fazer com a arma em punho e tinha plena noção do poder de destruição» da mesma.

«Só quem é louco é que se aproxima de alguém que tem uma arma na mão», sublinhou o juiz presidente, para desmontar a tese do arguido.

Sublinhou que o agressor agiu de forma «absolutamente violenta e censurável», não dando «qualquer hipótese de defesa» à vítima, face à sua «esmagadora superioridade», decorrente do facto de ter uma arma na mão.