A organização não-governamental Viver 100 Fronteiras vai enviar ajuda humanitária para a ilha do Fogo, Cabo Verde, onde a população foi seriamente afetada pela erupção do vulcão este ano, disse à Lusa a responsável pela operação.

«Preocupamo-nos em ajudar com aquilo que mais pediam na televisão: colchões; material para casa como sofás, móveis, roupa, calçado e bidões para água» disse à Lusa Natália Rocha, presidente da organização com sede em Fiães, Santa Maria da Feira.

«Não ignoramos também a parte da educação porque eles pediram-nos bastante material didático: livros, cadernos e lápis. Concluímos já o carregamento do contentor que sai de Leixões amanhã (sexta-feira) e que dentro de 12 dias estará em Cabo Verde.»


A operação foi pedida pela igreja católica e vai contar com o envolvimento dos freis capuchinhos de Cabo Verde que vão proceder à distribuição do material junto das populações afetadas na ilha do Fogo.

A erupção vulcânica no Fogo, uma das três registadas no interior da caldeira do vulcão nos últimos 63 anos – as anteriores ocorreram em 1951 e 1995 -, destruiu por completo Portela e Bangaeira, dois povoados de Chã das Caldeiras e que obrigou à retirada de cerca de mil e quinhentos habitantes, em janeiro.

Os prejuízos estimados pelo Governo cabo-verdiano foram avaliados em 45 milhões de euros.

«Temos capacidade de, mais tarde, voltarmos a ajudar na área da educação na ilha do Fogo, junto da escola que a Fundação do Benfica vai fazer para 600 crianças. Nós temos capacidade de conseguir o material para a mobilar. É um projeto a delinearmos no futuro.»


A organização Viver 100 Fronteiras, que mantém um trabalho de apoio humanitário na Guiné-Bissau há seis anos, nas áreas da educação, apoio à saúde e desenvolvimento social, vai alargar agora o âmbito das ações a Cabo Verde e, a partir do final do mês, a São Tomé e Príncipe.

Dois contentores com ajuda humanitária vão ser enviados para São Tomé e Príncipe, numa operação em parceria com o bispo de São Tomé, sendo que o material vai ser doado à diocese.

«Solicitaram-nos ajuda no âmbito da educação e da saúde e eu vou pessoalmente fazer um trabalho de terreno na cidade das Neves onde 80 por cento da população é alcoólica e onde 40 por cento das crianças até aos cinco anos de idade morrem por desnutrição e alcoolismo. Vou fazer também um trabalho de sensibilização, com palestras e contacto com a população.»


O apoio ao Orfanato das Neves com mais de uma centena de crianças está também previsto, através do envio de roupas e «com tudo o que é direcionado à instituição», assim como o auxílio a uma cooperativa da mesma cidade e que vai receber tecidos e máquinas de costura que podem vir a ajudar a aumentar a produção.

«Vão ser enviados também cinco mil livros para a montagem de uma biblioteca», acrescentou Natália Rocha, sobre o projeto que vai ser lançado em São Tomé e Príncipe.