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Bolsa de Valores Sociais vai valorizar vertente de negócios

Numa altura em que a Bolsa apresenta os dois primeiros projectos totalmente financiados, Celso Grecco conta que a BVS quer potenciar negócios sociais que ajudem as instituições a ser financeiramente mais independentes

Por: Redacção / Manuela Micael  |  24- 3- 2011  18: 9

Celso Grecco - Bolsa de Valores Sociais

A Bolsa de Valores Sociais (BVS) vai avançar, no segundo semestre deste ano, com «dois níveis de cotação» de projectos sociais. O presidente da BVS, Celso Grecco, explicou, esta quinta-feira, ao tvi24.pt que, além do nível de cotação indiferenciado que actualmente existe, haverá um destinado exclusivamente a negócios sociais.

O objectivo é potenciar negócios sociais, com probabilidades de auto-sustentabilidade e de dar lucro. «A ideia é que, daí a um tempo, o projecto em causa esteja apto a devolver o dinheiro ao investidor. O investidor poderá então reaver a sua doação, reinvesti-la ou fazer o que entender com o dinheiro», explicou Celso Grecco.

O responsável pela Bolsa de Valores Sociais prevê iniciar essa cotação com «pelo menos cinco projectos, talvez 10 no máximo, com alguma diversidade geográfica».

Dois projectos totalmente financiados

A intenção é apostar mais em negócios como o da Casa de Santo António, um dos que já conseguiu financiamento total, através da Bolsa de Valores Sociais. A Casa de Santo António é uma instituição com cerca de 90 anos, criada para apoiar jovens mães solteiras.

O projecto que a Casa de Santo António cotou na BVS era uma cozinha industrial, que tinha como propósito fundamental ser uma escola de culinária para as jovens mães, mas também produzir comida e vendê-la para fora e, assim, ajudar às despesas da instituição. «Apresentaram um projecto de 165 mil euros. A cozinha abriu em Outubro e, até Dezembro, facturou cerca de 94 mil euros. A previsão que elas fazem é de uma facturação mensal entre 20 a 25 mil euros», revela Celso Grecco.

A cozinha da Casa de Santo António vai também transformar-se numa escola de culinária virada para o exterior e ensinar jovens de outras instituições. O projecto torna a instituição menos dependente de donativos. Esse é um dos factores que Celso Grecco acredita ter motivado os «investidores» na BVS. «Costumo dizer que, à semelhança da água, o dinheiro também é um recurso finito», alerta o responsável.

No caso do outro projecto também já financiado através da BVS, uma carrinha para apoio domiciliário da Casa do Gil, Celso Grecco acredita que a motivação dos «investidores» se prendeu mais com o mediatismo do projecto. «A Fundação do Gil é um projecto muito conhecido», constatou.

BVS, um projecto único na Europa

A Bolsa de Valores Sociais é uma réplica de uma Bolsa de Valores, mas, em vez de empresas, tem em cotação projectos sociais. Os «investidores sociais» compram «acções sociais» como comprariam acções de empresas normais, financiando dessa forma os projectos em Bolsa. Através da BVS, os «investidores» podem acompanhar o uso dos recursos, através de relatórios de resultados e de impacto social, tal como os accionistas de uma empresa acompanham o trabalho desta.

A BVS de Lisboa é a segunda no mundo e a primeira da Europa. É inspirada na primeira BVS criada no Brasil para a BOVESPA (Bolsa de Valores do Brasil).

A BVS da Euronext Lisbon foi lançada em 2009. Desde a sua fundação já analisou 122 candidaturas e cotou 26 projectos. Dois desses projectos, o da Fundação Gil e o da Casa de Santo António, já estão concluídos. Estão actualmente «negociados» em acções sociais 470 mil euros.

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