O presidente da Câmara Municipal de Vale de Cambra, José Pinheiro (CDS-PP), garantiu que a ida da Polícia Judiciária às instalações daquela autarquia, esta quarta-feira de manhã, não se relaciona com a gestão do atual executivo, mas não quis prestar informações adicionais.

Em declarações aos jornalistas, José Pinheiro, do CDS-PP, afirmou: «Entendemos não prestar quaisquer informações adicionais para não prejudicar o trabalho que está a ser desenvolvido pelas autoridades judiciais».

Para esclarecer e «sossegar» os munícipes, o autarca assegurou, contudo, que o atual inquérito «não tem nada a ver com o atual Executivo municipal» - que nas últimas eleições autárquicas passou a suceder à gestão do PSD.

José Pinheiro adiantou ainda que, tendo em conta a situação económica e financeira herdada pela sua atual equipa, foi nesta terça-feira «aprovada em reunião de Câmara a realização de uma auditoria financeira e administrativa» à autarquia.

«Este procedimento pretende apurar a real situação do município bem como atestar que os procedimentos administrativos realizados ao longo do anterior mandato cumpriam com a legislação em vigor», explica o presidente da Câmara.

«Mais do que diagnosticar o verdadeiro estado do município, o objetivo deste Executivo é e será sempre a preocupação em encontrar soluções para a grave situação financeira que herdámos», continua José Pinheiro. «O nosso propósito perante os eleitores foi, é e será sempre fazer crescer Vale de Cambra», concluiu, após uma declaração sem direito a perguntas por parte dos jornalistas.

Uma fonte policial indicou, entretanto, que a presença da Polícia Judiciária na Câmara de Vale de Cambra relacionou-se com uma investigação sobre alegadas irregularidades que foram alvo de denúncia anónima

Em causa estaria a adjudicação de obras feitas e pagas, na vigência do anterior executivo, beneficiando um clube desportivo.

A Câmara de Vale de Cambra é atualmente gerida pelo CDS/PP, que nas últimas eleições destronou o PSD.

Contactado pela agência Lusa, o anterior presidente da Câmara, José Bastos, diz-se "completamente tranquilo", admitindo que o clube em causa possa ser o Macieirense.

«Foi o único clube onde fizemos obras, já há muitos anos», declara o social-democrata José Bastos. «Tratou-se da construção de uns balneários e não tenho preocupação nenhuma quanto a isso, porque cumprimos todos os procedimentos e fizemos inclusive uma candidatura europeia», acrescenta.

Para o antigo presidente da Câmara Municipal de Vale de Cambra, «estas situações são normais no fim de um mandato, quando surgem umas cartas anónimas e outras coisas para lançar suspeitas» sobre os autarcas cessantes.

José Bastos, contudo, garante: «Nos meus mandatos não houve malabarismos», cita a Lusa.