O secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, afirmou este sábado, ao ser questionado sobre as buscas realizadas na sexta-feira pela Polícia Judiciária na sede da Proteção Civil, que a tutela está sempre disponível para colaborar com a Justiça.

“Todos os serviços do Ministério da Administração Interna estão sempre disponíveis para colaborar com a Justiça”, disse o governante à Lusa, sem fazer mais comentários, sublinhando que não se pronuncia “sobre assuntos da Justiça e investigação judicial”.

A empresa de aviação Everjets, a sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) e o aeródromo de Ponte de Sor foram na sexta-feira alvo de buscas pela Polícia Judiciária (PJ).

A polícia realizou uma dezena de buscas em Lisboa, no Porto e em Portalegre para obtenção de provas relacionadas com contratos públicos de aquisição e manutenção de aeronaves para combate a incêndios.

Segundo a PJ, em causa está a eventual prática dos crimes de corrupção, participação económica em negócio e falsificação de documentos.

Em fevereiro de 2015, a empresa Everjets ganhou o concurso público internacional para a operação e manutenção dos seis helicópteros Kamov do Estado, por um período de quatro anos, no valor superior a 46 milhões de euros.

Em junho desse ano, a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) abriu um inquérito relacionado com problemas detetados nos helicópteros Kamov, mas ainda sem conclusão.

A abertura do inquérito da IGAI surgiu após a ANPC ter detetado problemas “graves no estado das aeronaves” durante o processo de transferência dos Kamov da Proteção Civil para Everjets, que aconteceu em março de 2015.

Anteriormente, era a Heliportugal a empresa responsável pela manutenção e operação dos Kamov.

Com a extinção da Empresa de Meios Aéreos (EMA) em outubro de 2014, a ANPC ficou responsável pela gestão dos contratos de operação e manutenção dos meios aéreos próprios do Estado.

Em 2013, a Everjets ganhou também o concurso de aluguer de 25 helicópteros ligeiros de combate a incêndios florestais por um período de cinco anos, que chegou a ser impugnado judicialmente pela empresa derrotada Heliportugal.