Um novo método de burla de compra de carros está a ser investigado pelas autoridades e já terá lesado dezenas de pessoas. É acordado pagamento, mas, em vez de transferência bancária, os burlões usam cheques roubados. Os vendedores só se apercebem depois, quando o carro já está na posse do comprador.
 
Foi o que aconteceu a Hugo Moreira e à mãe. Em apenas três dias, um bom negócio transformou-se num pesadelo para esta família de Cristelo, Paredes. Hugo queria vender uma carrinha por 13 mil euros. Pôs um anúncio na Internet e surgiu um insuspeito comprador. Acordados os pormenores da venda, o homem iria de Lisboa recolher o carro em Campanhã, no Porto, e pagaria por transferência bancária.
 

“Pedi à minha mãe para ir ao banco confirmar se a transferência tinha sido feita. A minha mãe foi ao banco, tirou um extrato bancário, o dinheiro aparecia como saldo contabilístico. Pensei, na minha boa-fé, que estava tudo bem feito e entreguei a chave ao senhor.”

 
O método da burla parece ser comum a outros casos que estão já a se investigados pelas autoridades. Na impossibilidade da transferência, há um depósito de um cheque. O saldo aparece na conta, mas afinal o cheque é roubado. E, nessa altura, já o carro desapareceu com o alegado comprador.
 
Neste tipo de vendas, todos os cuidados são poucos. Mas há formas de evitar ser vítima deste tipo de burlas. “Quem vende determinado bem, através de uma plataforma informática, antes de concluir a operação, tem de ter a certeza que o pagamento ocorreu. Para que o pagamento ocorra, ou a pessoa recebe em dinheiro ou, se for através de uma transferência ou depósito bancário, na conta bancária do vendedor, tem de aparecer a indicação de saldo disponível”, alerta o jurista Pedro Marinho Falcão.