Por: Redacção / MM | 6- 2- 2012 13: 58
A principal arguida num processo de burlas e falsificação de documentos que está a ser julgado no Tribunal de Aveiro e
envolve 12 arguidos confessou, esta segunda-feira, que alterou dados de clientes para a concessão de créditos.
Sobre
os arguidos impendem acusações de coautoria dos crimes de associação criminosa, burla e falsificação de documentos relativas
a operações de crédito ao consumo em que, segundo a acusação, eram viciados os dados dos clientes. Alguns deles nem saberiam
que tinham sido feitos pedidos de financiamento em seu nome.
A principal arguida, Maria Luísa Pinhão, que explorava
o gabinete Multiserviços, com sede em Aveiro, para prestação de serviços como a realização de contratos de seguros e créditos
para aquisição de bens e serviços, foi detida pela Polícia Judiciária no final de 2006, permanecendo em prisão preventiva
durante três meses. Depois, passou a prisão domiciliária e está atualmente com termo de identidade e residência.
Perante
o colectivo de juízes, foi uma das seis pessoas que se dispôs a falar logo no início do julgamento, mas o seu advogado requereu
que o fizesse sem os restantes arguidos estarem presentes, o que foi atendido.
Ao tribunal, Maria Luísa Pinhão admitiu
que, em algumas situações, foi ela quem alterou o perfil dos clientes, através de um programa informático que tinha instalado
e que lhe permitia manipular os documentos necessários para a obtenção de crédito, como recibos de vencimento ou contas de
luz e água.
«Quando os clientes não tinham perfil adequado, criava-se e na maioria cumpriam e pagavam os empréstimos»,
respondeu ao juiz presidente, justificando que alteravam os valores dos rendimentos porque tinham de trabalhar por objectivos.
A
arguida assegurou que nem todas as alterações nos documentos foram feitas por si e, quando confrontada com a acusação de que
havia créditos em nome de pessoas que o desconheciam e cujos documentos pessoais haviam sido furtados, disse não saber como
é que esses documentos chegaram ao gabinete. «Eu, por regra, não conhecia as pessoas e não sabia como é que os documentos
chegavam. Não sei se essas pessoas sabiam ou não», afiançou, adiantando que a proveniência tanto poderia referir-se à actividade
de angariadores do escritório, alguns coarguidos, como de stands automóveis com que trabalhavam e de empresas que vendiam
outros bens, como aspiradores.
No despacho de acusação, o Ministério Público (MP) sustenta que, desde Fevereiro de
2003 a Janeiro de 2007, os arguidos falsificaram documentos alheios, que eram usados para abrir contas bancárias e obter créditos
para aquisição de bens, conseguindo assim «verbas elevadas» que entre eles distribuíram.
Segundo o MP, os arguidos
¿ entre os quais um contabilista, empresários e vendedores de automóveis - actuavam de prévio e comum acordo, agindo como
«uma organização algo elaborada».
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