A indisciplina e violência escolares podem ser combatidas com uma “radical estratégia de valorização da escola pública”, que envolva alunos, pais, professores e funcionários, defendeu o coordenador do Grupo de Trabalho de Indisciplina em Meio Escolar, na mesma semana em que é conhecido que uma criança foi atada a um poste e despida no recreio escolar. 

Depois de quatro meses em que visitaram escolas e ouviram especialistas, o grupo de trabalho criado no parlamento apresenta, na quarta-feira, na Assembleia da República, as suas primeiras conclusões sobre indisciplina e violência escolar.

“Este é um problema que não pode ter uma abordagem criminal. É preciso pensar de uma forma mais global e não podemos deixar nenhuma dimensão da escola por tratar. Nós (diferentes partidos políticos) estamos todos de acordo no que toca à necessidade de uma radical estratégia de valorização do espaço público”, disse à Lusa o deputado socialista e coordenador do grupo de trabalho, Rui Pedro Duarte.


Os deputados consideram que a escola precisa de ferramentas para conseguir trabalhar e precisa de ser valorizada por quem a frequenta e pelos encarregados de educação.

“Não podemos deixar a escola com escassos recursos abandonada à sua boa sorte”, concluiu o responsável, salientando que as conclusões do grupo de trabalho ficarão inscritas no relatório que será feito em breve e que terá recomendações aos grupos parlamentares.

Para Rui Pedro Duarte, “há uma dimensão da vida do dia-a-dia da escola que não está a ser tratada por ninguém. Do lado da tutela há uma ausência de estratégia de combate à indisciplina escolar”, relata a Lusa.


A conferência parlamentar "Indisciplina em Meio Escolar", que se realiza quarta-feira de manhã, no parlamento, conta ainda com a participação de vários especialistas como David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação, João Lopes, da Escola de Psicologia da Universidade do Minho, Célia Oliveira, da Universidade Lusófona do Porto, e Filinto Lima, do Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos.